Porque começar o dia de estudos com uma Caminhada ao ar livre?

Em nosso homeschool as atividades físicas ao ar livre são prioridade. Desde 2016 temos nos inspirado em Charlotte Mason e procurado colher na simplicidade das impressões deles o material para analisar o nosso mundo natural. Nem todas as vezes que saímos despendemos um tempo longo para registrar o Diário da Natureza com desenhos e notas. Na maior parte dos dias buscamos apenas nos exercitar, brincar, e encontrar uma estado interior de tranquilidade que o silêncio e a beleza do ar livre nos ajudam a despertrar. Trata-se de um tempinho de crianças ocupadas e de um tempo de meditação para a mãe. Muitas vezes, encontrar um clima favorável ou tempo na agenda para sair de casa, sendo que a casa é uma fonte infinita de trabalho, é desafiador. Porém, a tranquilidade que ganhamos após uma caminha vale o esforço. Atualmente começamos nossos dias no parque. Ao voltar para casa mergulhamos nos estudos com mais serenidade e concentração.

Em que idade devo começar a ensinar?

Há quem invista em conteúdos acadêmicos desde cedo. Apostam na platicidade cerebral dos 2, 3 e 4 anos e fazem uma agenda vasta de ricas atividades dirigidas. São mães educadoras que desfrutam do tempo com seus filhos pequenos construindo memórias doces envolvidas em projetos de ciências, pintura e colagens. Há quem prefira começar mais tarde e que percebeu que ao ensinar depois dos 7 anos terá uma criança mais interessada e que aprenderá em instantes o que levaria meses para perceber se fosse mais nova. A infância corre ligeiro e em instantes acaba. Quando mais a criança terá dias longos, livres, cheios de surpreendentes descobertas e fantasias no quintal? O filho sempre teremos, mas a criança se vai. Quando nos detemos para observá-los descobrimos que aprenderam o tempo todo e quaisquer das perspectivas são válidas, pois a beleza do Homeschooling é ser desenhado conforme as prioridades de cada família. Com o passar dos anos e o ganho de experiência, nosso Homeschooling também foi adquirindo nuances e ficando cada vez mais tranquilo e personalizado. Abandonamos algumas práticas que no começo pareciam fundamentais e agregamos outras que nem imaginávamos que poderiam funcionar. Ensino meus filhos a ler e a contar aos 4 anos. Bem devagarinho. 10 minutos por dia. Nada de métodos trabalhosos. E cada um avança conforme as próprias características. Mergulhamos aos poucos no mundo da leitura, mas sem tropeços nem afobações. Lembrando que o ouro da educação domiciliar é construir uma atmosfera interior de harmonia e amor pelo aprendizado. Não é uma corrida em busca da criança prodígio. Mas uma estrutura de vida que permita nutrir principalmente um bom caráter.

No homeschool a simplicidade ajuda

Já procurei criar um lar montessoriano e não funcionou. Mas conheço famílias educadoras que conseguem ensinar nesse formato. Já alfabetizei dois filhos com um método e com o terceiro não funcionou. Desapeguei e mudei de método. Já tentei aplicar uma elaborada educação clássica que mortificava meus filhos. Simplifiquei. Existem muitos modos de se fazer homeschooling. Com certeza há formas ótimas, mas que não combinam com meu estilo de vida, minha personalidade ou com o modo de aprendizado de alguma de minhas crianças. Isso não desmerece o método, nem o homescholing. O objetivo do ensino é que eles aprendam, não importa tanto qual a trajetória que vamos seguir para conquistar essa meta. Descomplica. Se você está enfrentando desafios que te tiram

a paz, talvez você tenha escolhido uma abordagem que não é a mais indicada para esse momento de sua vida. Não compare sua prática com o ideal que um dia você imaginou. Tenha claro em mente os seus objetivos educacionais e aceite a realidade de sua vida como ela se apresentar. O ambiente emocional que criamos para nossos filhos é muito importante para o aprendizado e é a atmosfera da vida deles no ED. Não perca a paz.

Trabalho doméstico na dose certa

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística constatou que metade das crianças e adolescentes em nosso país cumpre com afazeres domésticos, ajuda na produção para consumo familiar ou cuida de irmãos mais novos. Para o IBGE, essas atividades podem ser entendidas como trabalho infantil, porque entram em conflito com a educação formal.

É notório que a dedicação exclusiva de crianças e adolescentes ao serviço doméstico é descabida, e é evidente que não se pode delegar a eles toda a carga de responsabilidades que competem aos adultos. Nessa idade eles não estão plenamente maduros e treinados para cumprir com esses papéis. Mas a criança pode e deve contribuir com os afazeres domésticos, contanto que se tenha o cuidado de não comprometer outros aspectos importantes para o seu desenvolvimento.

Criança precisa de formação nos âmbitos físico, intelectual, socioafetivo, transcendente e volitivo. Por isso, além de contribuir com a família, é necessário que receba atenção de um adulto com o qual tenha vínculos de confiança e carinho, que tenha acesso a prática esportiva para que aprenda a dominar o próprio corpo, que aprenda a disciplina e a ordem para conquistar equilíbrio emocional, que brinque para harmonizar interiormente suas experiências de vida, que participe de atividades culturais, que tenha tempo para dedicar aos estudos. Porém, a participação nos trabalhos domésticos é fundamental para essa formação global do ser humano. Então, privar os jovens dos benefícios do serviço do lar é um modo de dificultar a educação em muitos de seus aspectos, inclusive no âmbito intelectual.

Tal é a importância das tarefas de vida prática que nas escolas montessorianas espalhadas pelo mundo desenvolvido – e que em nosso país constituem uma alternativa educacional cara e elitizada – as crianças recebem tarefas domésticas desde tenra idade para serem cumpridas visando benefícios intelectuais. Trocando em miúdos: investe-se pedagogicamente em atividades de limpeza e cuidados com o ambiente para que os estudantes aprendam a cuidar de seu espaço, a cuidar de si mesmos e, com isso, a respeitar o seu entorno e seus pares. Na fundamentação pedagógica dessa linha educativa está a ideia de uma educação cósmica que é edificada por meio de atividades simples do cotidiano. Os frutos desse esforço educativo vão além da aquisição de competências técnicas. Usa-se de atividades pouco valorizadas em nossa sociedade, como varrer o chão, passar pano na mesa ou lavar vasilhas para desenvolver competências intelectuais que são fundamentais para a vida acadêmica – ordenar, encontrar padrões, catalogar, estimar, comparar. Além disso, nessas tarefas se dá a educação do caráter e a conquista de qualidades humanas como a autonomia, a responsabilidade e, em última análise, um aprendizado de cidadania.

É notório que em países como Estados Unidos e Japão, onde a terceirização dos trabalhos domésticos é um luxo, as crianças são ensinadas a contribuir com a limpeza desde pequenas, tanto em casa quanto nas escolas. Isso é visto com naturalidade por ser parte da educação. As famílias se organizam delegando tarefas para todos os filhos, e contando com eles nos pequenos serviços de assistência mútua a todos os membros da família e da comunidade. É comum que adolescentes cuidem não apenas dos irmãos, mas que atuem como babás para vizinhos. Essa contribuição, que é importante para a administração do lar, não impede o sucesso acadêmico desses jovens, quando bem dosada.

Quando pensamos em educação, não podemos esquecer que ela deve atuar na integralidade da pessoa. Focar exclusivamente no aspecto acadêmico pode comprometer justamente o desenvolvimento acadêmico. Para a formação integral de um indivíduo visando o exercício pleno da cidadania, é preciso que ele esteja inserido em sua comunidade, aprendendo paulatinamente a administrar as demandas da vida adulta e conquistando maturidade e independência ao longo do processo educativo. Por isso, no ímpeto de melhorar a qualidade da educação em nosso país, corre-se o risco de piorá-la ao atribuir às tarefas domésticas o caráter de trabalho infantil. Visando melhorar o desempenho escolar de nossos jovens libertando-os de toda espécie de contribuição em casa, podemos formar pessoas despreparadas para a vida adulta. Portanto, as tarefas domésticas, quando bem dosadas, não podem ser desprezadas.

Jovens que não atuam na administração da casa, não cuidam de ninguém, não colaboram com a produção familiar estarão fragilizados diante das demandas futuras, e a sociedade receberá adultos infantilizados e dependentes de cuidados de terceiros. Precisamos de adultos capazes de cuidar de si e dos outros. Precisamos que nossos jovens conquistem a autoconfiança, fruto do exercício de suas competências como membros de uma comunidade com a qual precisam contribuir.

Lamentavelmente o serviço do lar é visto como degradante. Essa visão preconceituosa que se tem dos serviços domésticos em nossa cultura impede que a dignidade dos trabalhos de tantos jovens seja valorizada. Contribuir com o cuidado da casa, das pessoas da sua família, batalhar por bons resultados acadêmicos e aprender um ofício não são atividades excludentes, são todos aspectos importantes para uma vida equilibrada.

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Como manter a casa limpa? – FAQ Homeschooling

Encontrar um equilíbrio entre manter a casa em ordem, cozinhar, cuidar de numerosos filhos e dar as aulas é um dos grandes desafios do homeschooling para a minha família e para muitas outras.

Durante o período que cuidei pessoalmente de todas essas tarefas observei que as seguintes dicas foram decisivas para o bom andamento das atividades:

Dicas para manter a casa limpa:

  • Tenha poucas coisas – quanto menos roupas, louças, brinquedos, menos coisas para limpar. Lembre-se que cada coisa em sua casa precisará de limpeza.
  • Siga uma rotina sem procrastinações, fugindo dos perfeccionismos. Faça cada tarefa da melhor forma que puder dentro do tempo estipulado para ela. Se não conseguir terminar hoje não tem problema. Dar conta de todas as tarefas é mais importante do que fazer uma única tarefa perfeitamente.
  • Delegue pequenas tarefas para os filhos sem desprezar que a soma de pequenos encargos pode ser um grande serviço. Além disso a participação na limpeza da casa é muito importante para a formação do caráter dos filhos. Crianças com mais de 6 anos podem colocar roupa na lavadora e na secadora, colocar e tirar a louça na máquina de lavar, passar aspirador em seus quartos, trocar suas roupas de cama, arrumar as próprias camas, separar as roupas e guardar nos guarda roupas. Crianças com mais de 3 anos ajudam a tirar o pó, passar pano na mesa, pôr e tirar a mesa. Colocar os objetos novamente no lugar.
  • Não deixe a tarefa de agora para fazer mais tarde sem um bom motivo, pois isso evita o acúmulo de tarefas.
  • Cada vez que entrar na internet coloque um despertador com tempo determinado para sair, é bem fácil perder horas na rede e nem perceber que o tempo passou.
  • Invista em eletrodomésticos que simplifiquem a limpeza da casa – máquinas de lavar louça, secadora, um bom aspirador de pó, panelas de slow cook. Fuja de eletrodomésticos que só eventualmente terão utilidade, pois eles ocupam espaço e demandam manutenção.

Dicas para otimizar a limpeza ao longo da rotina:

  • Acorde e já arrume a cama.
  • Antes do preparo do café já coloque a roupa para lavar.
  • Antes do banho dê uma limpadinha rápida no banheiro para conservar limpinho por mais tempo.
  • Limpe a cozinha imediatamente depois de terminar a refeição – não precisa fazer uma faxina, mas guarde o que precisa ser guardado, deixe a pia, a mesa e o chão minimamente limpos.
  • Planeje todas a refeição da semana antecipadamente montando um menu simples de receitas que podem ser preparadas em 40 minutos. Repetir o menu todas as semanas simplificou muito minha rotina.
  • Cozinhe uma vez por dia em quantidade suficiente para as outras refeições.
  • Faça as compras com antecedência.
  • Reserve uma hora por dia para a limpeza da casa. Coloque o despertador para te avisar quando o tempo acabar. Não limpe mais do que o tempo estipulado. Caso não faça isso você corre o risco ou de passar o tempo todo limpando, ou de não limpar nada pois o tamanho da bagunça é desmotivador e não dá ânimo para começar.
  • Deixe poucos brinquedos a disposição das crianças para ter sempre poucas coisas para juntar e limpar.
  • Faça as crianças juntarem suas coisas depois de usar.
  • Faça um rodízio dos brinquedos das crianças.

Desde que engravidei do sexto filho resolvemos terceirizar muitas das tarefas domésticas. Então a pergunta “como você consegue?” é respondida com uma humilde simplicidade “eu tenho ajuda”.

Primeira Feira de Ciências de famílias educadoras em 2017

Esse ano nossos estudos de Ciências foram muito enriquecidos devido à feira de ciências. Ao longo dos últimos anos fizemos pesquisas, alguns experimentos, mas nunca tínhamos tido a oportunidade de apresentar nosso trabalho para um grupo.

As crianças gostaram muito de montar o cartaz, de preparar o trabalhado,  e de falar em público. Todos os participantes da feira, até as crianças pequenas, prestigiaram as apresentações uns dos outros.

Ciências é uma das disciplinas que procuro ensinar todos os meus filhos ao mesmo tempo.   Para isso, tomo o cuidado de exigir mais das mais velhas e de explicar para as mais novas as dúvidas que surgirem. Por isso, nossas filhas apresentaram um mesmo assunto dividido entre as 3 mais velhas.

Nosso tema foi o Mundo Animal. Os meus cinco filhos preparam o cartaz que foi um treinamento de recortar e colar para  Isabel, Cecília e Leonel.  Todos fizeram a experiência empírica de cuidar dos animais que trouxemos para casa para estudar. As mais velhas, Maria e Alice, prepararam seus textos com a seleção do que falariam.  E no fim aprenderam bastante.

Continuo confiante em nosso formato de estudo de ciências, e aprendi que um bom modo de motivar as crianças a capricharem ainda mais nesse assunto, é promovendo uma feira de ciências.

Festa de Todos os Santos 2017

A Festa de Todos os Santos é uma tradição para nossa família. Esse ano participamos pela terceira vez e o entusiasmo se mantém. Contei com o apoio de outras mães muito mais caprichosas do que eu e que fizeram arranjos de mesa, anjos de papel, trouxeram músicas, guloseimas e produziram lindas fantasias para seus filhos. Com isso nossa festa foi mais uma vez um momento especial.

Muito além do simples desfile de fantasias essa ocasião sempre nos permite falar dos Novíssimos com nossos filhos. Dia das bruxas, dia de Todos os Santos e Dia de Finados são a ocasiões de nos lembrarmos de que nossa vida terá um fim, de que nossa existência não é banal, que temos uma alma imortal e que um dia viveremos o juízo particular.

Além disso, todos os anos aprendemos sobre alguns santos e sobre suas lindas biografias. Com isso nos colocamos numa postura interior de amor ao bem e ao desejo de sermos também santos. Toda essa preparação das roupas e da decoração da festa é tão rica quanto a própria festa.

Esse ano minhas filhas escolheram Santos dos quais já havíamos falado em nossas leituras ao longo do ano: Santa Felicidade, Santa Doroteia, Santa Cecília e Santa Rainha Isabel.

Mostrar para nossos amigos nosso trabalho, nossa pesquisa e nosso figurino é especial para as crianças. Ficamos muito contentes por poder reunir nesse dia festivo famílias católicas e amigas e celebrar nossa filiação divina e nosso chamado universal à santidade.

Como ensinar simultaneamente crianças em idades diferentes? – Homeschooling FAQ

O comum no homeschooling é que em uma família se encontrem crianças em idades distintas. Por isso o ensino tende a ser individualizado e personalizado.

Por um lado, em casa, diferentemente de na sala de aula, o ensino é individualizado, semelhante ao que acontece nas aulas particulares. Algumas famílias se organizam dedicando um horário para cada filho. Outras famílias, costumam organizar as crianças de modo que no dia a dia aconteça como nas escolas especializadas em atendimento personalizado para cada aluno – como o Kumon – no qual crianças em idades diferentes estudam silenciosamente e lado a lado em materiais distintos e adequados para o nível de aprendizado.

Para que as crianças consigam estudar em um mesmo horário e em um mesmo espaço físico, gradativamente as crianças desescolarizadas aprendem a se concentrar no próprio trabalho intelectual por períodos de tempo compatíveis com o seu nível de maturidade. Nesse formato, a mãe permite que o educando seja o protagonista e atua como auxiliadora nas dificuldades, orientadora dos próximos passos, corretora das atividades e mentora na determinação do ritmo de estudos de cada filho. Nas disciplinas de linguagem e matemática que exigem competências progressivas e cujo conteúdo é cumulativo de modo que a cada dia se avança um pouco mais é fundamental estudar individualmente com cada filho.

Por outro lado, o homeschooling pode ser semelhante a sala de aula em assuntos que permitem a abordagem independentemente de habilidades prévias. Quando percebemos que uma atividade permite a feitura por crianças em níveis de desenvolvimento diferentes, podemos trabalhar em grupo aplicando uma única explicação e aceitando que cada criança responda segundo suas potencialidades. Em minha família uso esse formato para aulas de Artes, Musicalização, apreciação artística e musical, leitura em voz alta.

Como nas turmas multiseriadas, parte dos conteúdos são informativos de modo que é possível dar uma única apresentação de conteúdo para crianças em idades diferentes. Os mais novos podem ter repertório menor e trazer dúvidas sobre aspectos que os mais velhos já superaram. Lida-se com isso respondendo com simplicidade as perguntas e exigindo mais rigor nos relatórios das crianças mais velhas. É interessante que a diversidade de idades pode trazer experiências pedagógicas muito interessantes. Pois, muitas vezes os irmão mais velhos encontrarão oportunidades de rever coisas que já sabem ao explicar para os menores quando surgirem perguntas. Em minha família estudamos Ciências e História nesse formato.

Como pais podem ensinar aos filhos assuntos nos quais não são especialistas? – Homeschooling FAQ

Nos primeiros anos de vida ensinamos conceitos elementares que qualquer adulto domina, e cujo aprendizado é espontâneo e intuitivo. É por isso que as crianças podem ficar tranquilamente em casa até os quatro anos sem precisar de instrução formal.

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Se você sabe contar até 10, se conhece as letras do alfabeto, as cores, as formas geométricas, os conceitos de antes e depois, maior e menor, você é qualificado para ensinar uma criança pré-escolar.

Com isso não pretendo diminuir a importância da pedagoga na escolinha. Pois as professoras não ensinam uma única criança, ensinam muitas crianças de mesma idade e não aparentadas entre si. Isso é um verdadeiro desafio. Fazer todos prestarem  atenção, assegurar que todos cumpriram com os objetivos, prestar atenção nas necessidades de todos, verificar se estão aprendendo, entender suas dificuldades e pensar em modos de supera-las. Para isso existe todo o sistema escolar e as professoras precisam de formação, qualificação e ainda assim assistimos muitos fracassos educacionais em nosso país.

Em casa não é assim. Temos um adulto disponível para ensinar uma criança que ama e conhece como ninguém, em cujo aprendizado tem enorme interesse, que tem toda a disponibilidade para pesquisar mil formas de ensinar no caso de encontrar alguma dificuldade. 20171002_121818.jpgÉ importante salientar que a escola, diferentemente do lar e da família,  é um ambiente artificial estruturado para manter grupos grandes de crianças seguras, e ordenado para desenvolver atividades que garantam que todas consigam desenvolver habilidades que sempre foram aprendidas em casa com naturalidade. Por exemplo, uma criança no quintal terá inúmeras experiências sensoriais ao lado da família. Não é possível uma única professora orientar em segurança 30 crianças pequenas em um quintal. Portanto é necessário reproduzir na segurança da sala de aula as experiências que todas teriam naturalmente sem mediação.

Depois, nas séries iniciais, o conteúdo de linguagem e matemática é elementar. Pais que receberam instrução escolar poderão transmitir o conteúdo com tranquilidade. Caso exista alguma dificuldade é possível procurar ferramentas, escolher métodos de ensino, pesquisar materiais compatíveis com as características do filho. Tendo em vista que é uma aula dada para uma criança em particular que terá total liberdade para fazer perguntas e que a verificação do aprendizado é imediata, não é necessário uma formação especial. No caso de o pai educador se deparar com algum assunto sobre o qual não tem conhecimento nenhum – o que é muito improvável – ele poderá aprender a matéria junto com o filho.

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Conforme a criança progride nas séries escolares e amadurece, ela vai se tornando uma leitora competente e consegue estudar autonomamente praticamente todos os tópicos necessitando apenas de auxílio para tirar dúvidas, correção de suas atividades, e de orientação no que se refere aos assuntos que devem ser estudados. No caso de surgirem eventuais dificuldades é perfeitamente cabível inscrever a criança em cursos – como Kumon, escolas de línguas, cursos de redação – ou contratar aulas particulares para o tema em questão.

 

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Como não confundir os papeis de mãe e de professora? – Homeschooling FAQ

Os pais são naturalmente os primeiros professores dos filhos. Se observarmos bem uma criança notaremos que as expressões faciais aprenderam dos pais, que articulam as palavras como os pais, que as meninas tratam as bonecas nas brincadeiras como as mães as tratam, que gritam como os pais se esses gritam com eles, ou que mantém a ordem das coisas quando assim são ensinados. Não há nenhum motivo para crer que haveria alguma dificuldade de um pai ocupar o papel de professor.

Na realidade é o papel de professor que é artificial, pois recebe a autoridade paterna emprestada para ensinar e corrigir os filhos de outras pessoas.

Alguns pais que fizeram mau uso de sua autoridade natural – ou por terem se desautorizado repetidamente, ou por sentimentalismo, ou por autoritarismo – encontram dificuldades para fazer com que os filhos obedeçam e cumpram com as atividades escolares em casa. Mas essa dificuldade não é maior do que a dos profissionais da educação que se debatem com o domínio de turma nas escolas.

Quando o ensino respeita o desejo natural de aprender que há no coração dos homens não existe um motivo para separar o papel de mãe do de professora. Ensino meus filhos a comer de boca fechada, a cumprimentar as visitas, a somar 2+2, a juntar as letrinhas para  escrever o próprio nome, a arrumar uma cama, e tudo isso sem nenhuma confusão.

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