Como conduzir o Homeschooling com uma criança pequena?

Iniciar atividades com o primeiro filho pode ser um desafio. Qual é a hora de começar? Depende. Cada criança tem um desenvolvimento particular e a resposta para essa pergunta depende da maturidade e do interesse que a criança apresenta. É bom começar a estimular os filhos bem cedo: ler para eles, propiciar atividades que desenvolvam um bom desenvolvimento das habilidades físicas, apresentar belas imagens, explicar com precisão tudo o que a criança perguntar, cantar com ela e para ela. Isso já é ensinar, mas não é necessário que se comece as atividades de escolarização em tenra idade.
   Para quem pretende começar a ensinar uma criança entre dois e três anos é bom ter em vista os seguintes aspectos:
– Homeschooling é uma modalidade de ensino que não é igual escola, então não tente trazer a escola para casa sob pena de causar frustração tanto para o educando quanto para a educadora. O tempo longo que as crianças passam na escolinha não é todo gasto com atividades educativas. Muito se despende com aspectos necessários para que uma turma realize uma tarefa: reter atenção do grupo, longas explicações, assegurar que todos cumpriram com os objetivos, deslocamento de grupo de um espaço para outro. Em casa, uma criança dessa idade não precisa ficar horas fazendo atividades. Em pouco tempo ela cumpre com todos os objetivos que levariam uma tarde toda para se atingir com um grupo. Por isso, não massacre seu filho planejando uma rotina com muitas atividades. No tempo livre, deixe ele brincar e se dedicar às atividades de outro tipo.
– Na hora de planejar sua rotina lembre-se de que é natural que a criança pequena não tenha muita concentração. Por isso não conte que ela ficará mais do que 10 minutos em uma tarefa. O ideal é prever uma sequência para mudar o foco quando ela perder o interesse. Não se preocupe em oferecer muita informação, é preciso consolidar as novidades. Portanto, a repetição é sempre bem-vinda. Apresente a mesma atividade repetidamente e não passe para outro tema sem que se tenha dominado o anterior. Poucas coisas bem feitas é melhor do que muitas mal feitas.
– Cada criança tem um ritmo. Caso seu filho não se interesse ou não consiga fazer algo que você planejou não desanime, apresente a atividade novamente depois de algumas semanas. É possível que ele ainda não tenha maturidade para realizar aquela tarefa em especial.Procure outros meios de desenvolver a mesma competência.
– Deixe seu filho fazer as coisas por si mesmo. Não segure a mãozinha ou faça por ele. Não obrigue. Sempre mostre passo a passo para a criança como se faz aquilo que você planejou, então ela irá naturalmente reproduzir do modo que conseguir. Forçar ou fazer pela criança é o melhor modo de criar antipatia pelo assunto.
– A repetição dá segurança para os pequenos. Por isso, ter uma rotina previsível ajuda muito a garantir o ritmo de estudos. Se a criança souber que em determinado horário fará uma sequência de atividades, ela passará a esperar por esse momento sem resistências. Apresentar subitamente uma série de atividades num único dia pode ser assustador. Introduza um elemento de cada vez e só apresente o seguinte quando estiver satisfeita com a rotina do anterior.
– A ideia de previsibilidade é benéfica para a vida infantil em todos os aspectos. Esse é um modo de criar tranquilidade e harmonia no ambiente familiar. Além disso, essa é a fase de ouro para se desenvolver bons hábitos que acompanharão a pessoa pelo resto da vida.
– Para iniciar uma rotina de atividades é interessante criar pequenos rituais para o momento dos estudos. Assim, a criança fica ansiosa para mostrar que já sabe o que é esperado dela e participa de tudo com alegria. Quando quero envolver a atenção da criança em algo novo e encontro dificuldade costumo criar uma música associada aquele momento ou uma sequência divertida de gestos. Por exemplo, quando está na hora das atividades começamos com uma música sobre trem, fazemos uma fila e vamos andando até os nossos materiais. Com isso, as crianças já correm para “entrar no trem”.
– É sempre bom dramatizar nos gestos e na voz para chamar atenção para si. Isso é ainda mais eficaz durante as leituras em voz alta.
– Se o seu filho não para quieto e não se atraí pelo que você propõe,comece apresentando atividades  pelas quais ele se interesse. Logo ele irá se acostumar com a ideia de fazer trabalhos dirigidos e irá aceitar o que você propuser. Minha filha nessa idade começou a prestar atenção no que eu ensinava porque amava lidar com tinta, a irmã por sua vez era mais atraída por tesouras. Caso isso demore, tenha paciência, proponha outra coisa, seu filho pode ainda não estar maduro.
– É sempre bom lembrar que crianças que passam muito tempo diante de telas (computador, televisão, tablets e afins) tendem a se concentrarem muito menos nas atividades. Na vida real nada tem o ritmo das tecnologias. Em geral, a criança acostumada com o tempo da ação virtual se entedia facilmente e não acha atrativo ouvir histórias, desenhar, brincar no quintal. Quanto menor a quantidade de tempo diante da televisão melhor e maior será a chance de ela se interessar pelo que for proposto. Vale lembrar que existem diferentes temperamentos de crianças. Algumas crianças precisam de mais movimento do que outras. É bom respeitar as inclinações naturais de cada personalidade, mas cuidando para não extremar as tendências naturais. É bom para uma criança com tendência à inatividade que se estimule a atividade física, mas é bom deixá-la livre para executar tarefas mais pacatas e que tenha tempos de ócio – que não precisam ser na frente da televisão; É bom para uma criança com tendência ao movimento que se faça atividades que exijam repouso e concentração intelectual exclusiva. Mas é bom deixá-la livre para correr e pular muito.
– Um modo importante de manter a criança focada no que está fazendo é assegurar que no ambiente onde se estuda ou executa atividades não se tenha muitos estímulos. Caso haja brinquedos, objetos muito coloridos, sons dispersantes no espaço onde ela deve fazer suas atividades, ela facilmente  poderá se distrair. Por isso a preparação do ambiente também é importante.
– Quando seu filho não para quieto reflita se ele esta gastando suficientemente sua energia física. Criança precisa testar o próprio corpo, aprender a usá-lo, ou seja, precisa se movimentar. Para melhorar a concentração é interessante desenvolver alguma atividade física antes da atividade intelectual. Depois de atividade física – correr um bom número de voltas, imitar animais, pular- a criança estará mais apta a se concentrar numa atividade mental. Outro bom recurso é propor atividades que aliem as duas coisas.
– Atenção, crianças pequenas não precisam de muito estímulo artificial.Deixar a criança explorar e desenvolver autonomia já é um bom estímulo global para a criança. Além disso, muitas mães pensam que é necessário entreter seus filhos todo o tempo. Isso gera uma dependência no filho, que passa a querer ser entretido e a ter dificuldade em suportar a solidão saudável. Eles precisam aprender sozinhos a encontrar o que fazer. Até mesmo quando alegam estarem se sentido entediados é bom, porque precisam administrar também esse sentimento.
– Tempo em playgrounds e parques nunca é tempo desperdiçado e sempre é tempo de aprendizado! Transferir areia de um balde para outro é uma brincadeira, mas é também uma atividade valiosa para os pequenos. Áreas ao ar livre estimulam o desenvolvimento de inúmeras competências físicas e favorecem a socialização com outras crianças.
– Envolva seu filho nas suas atividades da casa. Contribuir desde cedo com as atividades domésticas é ótimo para a criança em todos os aspectos. Atividades simples do dia-a-dia e proporcionais ao tamanho e a força da criança são extremamente educativas. Lavar uma colherinha, separar roupas em pilhas de categorias diferentes, estender um lençol, dobrar uma toalhinha, guardar os objetos no lugar certo são todas tarefas extremamente educativas não apenas porque ensinam a lidar com a vida prática, mas também porque desenvolvem o raciocínio e a coordenação.
– Leve consigo seu filho para suas atividades fora de casa. Isso demanda um tempo de treinamento com a criança para que ela possa aprender o comportamento adequado, mas colabora para um aprendizado muito rico sobre o mundo que o cerca, sobre a convivência entre os adultos e sobre a sociedade. Não deixe de fazer isso por receio de incomodar terceiros, educar seus filhos é mais importante do que a opinião alheia. Depois de acostumados eles certamente vão encantar os observadores devido ao bom comportamento.
– Em famílias numerosas a criança pequena entra na rotina dos mais velhos de modo orgânico e sem esforço. Por isso, começar atividades com o primeiro filho pode ser mais difícil do que com os demais. Muitas mães são impelidas a achar que seus filhos ficarão pouco estimulados em casa e que a presença de outras crianças assegura o bom desenvolvimento. Note-se, porém, que em um grupo homogêneo de crianças da mesma idade aquelas que tem irmãos são mais estimuladas do que as demais, ou seja, a socialização familiar supera a escolar e a escola não supre essa riqueza. O melhor estímulo e o melhor parceiro de atividades certamente é um irmão.

A socialização no Homeschooling é melhor do que a socialização compulsória das escolas – Homeschooling FAQ

Quando se pensa em homeschooling imediatamente surgem muitas dúvidas sobre socialização, em resposta a isso posso citar os principais motivos pelos quais no homeschooling ela é melhor do que nas escolas:

1. Por que devemos pensar que obrigando nossos filhos a conviverem com um grupo de crianças aleatoriamente disposta em uma sala seja um modo inteligente de socializá-los? Os inúmeros problemas no processo de adaptação das criança à vida em grupo que vemos nas escolas e que desafiam os educadores – bullying, depressão infantil, drogas, pressão dos grupos para que os adolescentes reproduzam comportamentos inadequados, exposição de fotos humilhantes em redes sociais – apontam para o fato de que a escola não é o espaço ideal de socialização.

2. Na infância nossos filhos estão consolidando seus valores e recebendo todo tipo de influência em ambientes de convívio. Eles não tem as defesas psicológicas que nós adultos temos diante dessas dificuldades que comprovadamente podem deixar marcas profundas na personalidade. É direito e dever dos pais escolher espaços de socialização que respeitem os valores e a visão de mundo da família. Quando maiores e com o senso de valor próprio e uma personalidade mais consolidada a inserção em um meio adverso é necessariamente melhor.
3. A escola não é o único espaço de socialização que existe! No homeschooling ela acontece no mundo real e não numa bolha chamada escola. Uma vez que o objetivo da educação é preparar a pessoa para a vida adulta, o ensino domiciliar apresenta possibilidades de interação mais próximas daquela com que a pessoa irá se deparar ao longo da sua vida. Afinal, não há ambiente mais artificial do que a escola.
4. Fora do espaço escolar a criança conviverá com todo tipo de pessoa: crianças da mesma idade, crianças maiores, idosos, crianças menores, adolescentes, adultos, diferentes níveis culturais, econômicos e em contextos reais – a biblioteca, o museu, a loja, a feira, a igreja, o mercado, o parque, a aula, a casa dos amigos. No ensino domiciliar a criança experimenta o mundo adulto e aprende como se relacionar com a diversidade humana.
5. Pode-se dizer que foi bem socializada a pessoa que consegue se relacionar bem com pessoas de todas as idades e de todas os extratos sociais. Como ensinar isso inserindo a criança na escola que é um ambiente onde se relaciona apenas com outras crianças da mesma idade? Em diferentes espaços ela pode se deparar com um número maior e mais variado de crianças do que no restrito grupo de amiguinhos da escola.
6. Quando passam muitas horas por dia com os colegas da mesma idade aprendem a imitar seus comportamentos e criam a expectativa de que precisam fazer e ter tudo o que os outros têm e fazem. Em casa a criança tem modelos de comportamentos mais maduros em que se espelhar.
7. Quando passa muitas horas por dias com um grupo a criança tem sua autoimagem fundamentada na visão que os pares têm dela. Ou seja, seu senso de valor próprio depende da aprovação de terceiros. Crianças escolarizadas fora da escola têm sua autoimagem baseada nas capacidades e características reais que lhe são apontadas em família, em um ambiente onde todos querem que ela se conheça verdadeiramente. Assim, sua autoestima não dependerá da opinião do grupo.
8. Em casa é que se ensina a tal “educação que se dá em casa” – a educação não formal – da qual nossa sociedade anda tão carente. Nosso mundo precisa de  adultos com mais qualidade humana, ou seja, precisamos de mais mães educadoras. Quando trabalhamos a educação formal também em casa nos vemos obrigados a cultivar bons hábitos e virtudes. Com uma convivência mais próxima conhecemos os filhos intimamente e temos o tempo e a disponibilidade para planejar atividades visando desenvolver a nobreza de caráter e a bondade.
9. A criança não aprende a perceber o convívio social como uma guerra da qual precisa aprender a se defender. A inserção do individuo na sociedade acontece gradualmente conforme vai aprendendo a respeitar, exigir respeito para si e para os outros, amar ao próximo e olhar com paciência as necessidades dos demais.
10. Com a proximidade dos pais a criança se torna mais segura diante dos desafios de interação social. Desse modo o filho pode buscar orientação quando se sentir inseguro sobre o modo adequado de lidar com as múltiplas situações concretas, com os sentimentos novos que aprenderá a conhecer e a nomear.
11. O relacionamento entre pais e filhos têm mais qualidade. Naturalmente os pais conhecem mais as particularidades de cada filho e acompanham de perto seu desenvolvimento integral quando se dedicam pessoalmente a sua educação. Uma vez que as modernas pesquisas sobre o desenvolvimento do ser humano apontam a qualidade do relacionamento com os pais na infância como fator importante na formação de adultos com qualidade de vida, o ensino em casa é necessariamente mais saudável para a formação da personalidade.

Homeschooling, por onde começar?

Algumas mães de crianças pequenas me perguntam por onde começar o homeschooling. Entendo que quando me questionam estão interessadas em como conduzir um processo acadêmico ou como conciliar a rotina doméstica com a presença constante de crianças. Uma vez que as escolas em nosso país não dão conta de proporcionar uma educação suficientemente boa, a maior parte dos simpatizantes com a educação domiciliar estão preocupados com o desenvolvimento acadêmico dos filhos. Entendo que ter a meta da excelência acadêmica é algo muito genérico em um mundo de tantas propostas pedagógicas e tantos rumos por onde se conduzir os estudos, então para se chegar em algum lugar é preciso se questionar onde é que se quer chegar e só então começar a pesquisar os meios.

Minha trajetória de vida que me conduziu ao Homeschooling se iniciou precisamente desse modo. No intuito de conduzir conscientemente um processo educativo, parei para avaliar se minhas crianças estavam realmente aprende o que havia de melhor para se apreender, e ao observar que nas escolas se perde muito tempo ensinando tantas e tantas coisas que podem ser interessantes – ou não – mas que considerando um quadro completo de o que é realmente relevante para a formação integral de um indivíduo e portanto de o que é fundamental que se ensine, fica notório que determinar o “o que se deve ensinar” e então um “por onde começar” é fundamental.

Acredito que tanto na escola como nos meios de comunicação o excesso de informação atrapalha. Entre tantas e tantas possibilidades do que se estudar, entre tantas e tantas técnicas de como se se ensinar, decidi que minhas filhas não serão cobaias inseguras de novas modas psicológicas ou educativas. (lembrando sempre que a educação domiciliar é uma das modalidades educacionais mais antigas da história humana). Por onde começar? Comecemos olhando para tudo o que deu certo em matéria de educação. Vamos olhar para a história da humanidade e ter a humildade de reconhecer tudo de bom que já existiu.

Evidentemente há muita coisa. Mas tendo em vista que a educação é um processo que se dá na criança é fundamental que ela se interesse pelo que aprende, é interessante que aquilo tenha algum sentido concreto para ela. E com isso não estou querendo dizer que as atividades devem ser sempre lúdicas ou divertidas, afinal a vida real não é sempre assim. Para o bem da criança, precisamos ensiná-las a fazer coisas chatas e difíceis também. Mas se o objeto de estudo não tem realidade para ela penso que estamos na pista errada.

Vejo em sites materiais pedagógicos que visam ensinar estrutura celular de vegetais para crianças muito pequenas usando células gigantes para elas manusearem e me pergunto qual a pertinência disso para um bebê? Pois, a menos que tenha surgido uma curiosidade sobre as partes microscópicas dos seres vivos, para uma criança muito pequena aquilo é apenas mais um objeto no mundo real que não vai ter uma relação autoevidente com a biologia da plantinha. Num mundo no qual se produz tantas informações podemos nos perder querendo proporcionar tantos recursos e esquecer que para os pequenos apenas olhar as plantas na natureza é uma alegria e uma verdadeira fonte de descobertas.

Antes de mais nada, observo que a hiperestimulação é um mal. Para bebês e crianças menores de 2 anos não precisamos investir tantos esforços em atividades propriamente acadêmicas. O mundo já é um gigante laboratório e os objetos da natureza e do ambiente doméstico já são uma fonte de estímulo. Não é preciso inserir brinquedos que pulam, gritam, brilham; não é fundamental uma academia para bebês, não é preciso ver todas as imagens que existem para serem vistas, ouvir todas as músicas ou assistir a todos novos vídeos.

Se ensinada a viver num ritmo alucinado de novos estímulos constantes a criança perde a capacidade de concentração, perde a capacidade de silêncio interior, fica viciada em ser entretida. Assim como quem prova sabores muito intensos não consegue sentir sabor em um tempero ameno.

Acredito que o mais importante para nossos filhos pequenos não está em se tornarem pequenos gênios. Porque até mesmo para um desenvolvimento cognitivo satisfatório é fundamental investir antes em conhecimentos de outra ordem: a criança precisa conhecer e dominar o próprio corpo, os próprios movimentos, os sons; precisa aprender a manusear adequadamente e com autonomia objetos de seu uso cotidiano. Não há nada mais saudável para a autoestima do que fazer as coisas por si só. É importante ensinar a criança muitas palavras para que ela possa se comunicar adequadamente, aprender a expressar o que está experimentando, sentindo ou observando; é preciso ensinar a criança a nomear suas emoções e ajudá-la a lidar com as frustrações, é importante aprender a respeitar os outros e também todas as regras do convívio familiar; e é o momento perfeito para a aquisição de bons hábitos.

Por isso, acho que a melhor forma de se começar a educação domiciliar é pensando sobre onde quero chegar com esse projeto. A resposta que eu encontrei para essa pergunta é: minha meta é preparar o terreno para que nele possam florescer pessoas boas e honradas.

Por que o desenvolvimento intelectual dos estudantes é potencializado em casa? – Homeschooling FAQ

Por que escolarizar em casa? Quais os benefícios de se educar em casa? No aspecto intelectual as 10 principais vantagens são:

 

1. Educação acadêmica de alto nível. Conforme observa-se nos países que já tem uma tradição de Homeschooling, os resultados acadêmicos das crianças tende a ser superior ao da média, portanto a excelência acadêmica é um dos principais benefícios.

2. A escolarização em casa é um ensino individualizado e personalizado que respeita o ritmo de aprendizado da criança. Há espaço, tempo e liberdade para aprender muito e bem, exatamente como em uma aula particular. Nos assuntos em que elas tem facilidade há liberdade para avançar ilimitadamente sem as amarras da velocidade do grupo. Nos assuntos em que ela tem dificuldade ela pode demorar o tempo que for necessário para assegurar que o aprendizado foi significativo.

3. O objetivo do processo educativo é realmente adquirir o conhecimento. Não há estudo de véspera de prova, não há como enganar o professor, não há como colar, não há como aprender o suficiente para passar de ano, ou como tirar notas baixas. Com isso, a criança domina os assuntos que estudou.

4. Com esse método aprende-se o autodidatismo. Estudar sozinha e focada faz parte da rotina diária de estudos. Portanto a criança aprende a ter autonomia intelectual e a buscar as soluções para suas próprias dúvidas pois a pesquisa e estímulo para que se busque respostas para as curiosidades naturais da criança fazem parte do processo.

5. A educação domiciliar possibilita que se estude sistematicamente os assuntos nos quais a criança tem interesse e pertinentes à vida real da criança. O aprendizado é voltado para o mundo real e acontece no mundo real. A cozinha de casa é um ótimo laboratório, não há estudo de biologia mais apropriado para crianças do que o parque ou o quintal.

6. Há possibilidade de se usar recursos de aprendizado que em sala de aula não seriam viáveis ou aos quais o acesso seria limitado: viagens, passeios de aprendizagens, recursos eletrônicos e digitais, experimentos científicos em primeira pessoa, estudo em ambientes diversos, estudo em bibliotecas.

7.Uma vez que em casa não se tem os elementos dispersantes da escola – conversas paralelas, problemas disciplinares – nem a perda de tempo com locomoções – até a escola, de uma sala até a outra – o tempo de estudos é consideravelmente menor do que se se estivesse na escola. Desse modo sobra muito tempo livre para ser empregado em diversas atividades educativas, criativas, em brincadeiras, em adquirir outras habilidades não necessariamente acadêmicas, em socializar, em desenvolver os talentos particulares.

8. Há um verdadeiro protagonismo do educando em seus estudos.

9. Ao se delegar a educação, a tarefa de acompanhar as conquistas e os desafios fica muito dificultada. Na educação domiciliar pode-se escolher pessoalmente as melhores estratégias educativas, os melhores métodos de ensino e até mesmo os conteúdos e sequências didáticas mais adequadas para cada criança de modo a respeitar os valores e a visão de mundo da família e as particularidades de cada criança.

10. É possível dar uma educação acadêmica de nível melhor do que a das escolas particulares despendendo menos recursos.

 

A leitura em voz alta é fundamental no Homeschooling

Em quase todos os bons livros que li sobre homeschooling confirmei uma coisa que aprendi no curso “como ensinar seus filhos a ler de forma eficaz”: é fundamental fazer leitura em voz alta para as crianças – no curso há muitos detalhes sobre o assunto.

Minhas filhas sempre gostaram de ouvir histórias. Elas costumam escolher um adulto desavisado como vítima e dizer com olhinhos brilhantes “você pode ler uma história para mim?” e tão logo a pessoa diz que sim elas chegam com uma pilha de 20 livros.

Mas infelizmente eu acreditava que livros para crianças eram a melhor coisa para se ler para criança. Eu não poderia estar mais enganada. Elas se acostumaram a ouvir histórias simplificadas, toscas e muitas vezes eu mesma editava o texto enquanto lia substituindo palavras que eu considerava que elas desconheceriam por outras mais simples.

Então descobri o que agora me parece óbvio: todas as palavras em algum momento foram desconhecidas para a criança. Então, quanto mais palavras elas entrarem em contato na infância, melhor será para elas. Não haverá situação melhor para ampliar o vocabulário do que o da leitura em voz alta. E o mais interessante é que elas não precisam entender tudo o que escutam. Ou seja, pode-se ler de tudo. Então porque não ler o que há de melhor para ser lido?

Hoje fazemos todos os dias entre uma e duas horas de leitura em voz alta. Agora fazemos uma seleção de leituras que verdadeiramente respeitam a inteligência de minhas filhas: lemos as Sagradas Escrituras, lemos livros em inglês, lemos os clássicos da literatura, lemos muita poesia – que atualmente consiste na parte que elas mais gostam de ouvir – e lemos também aqueles livrinhos para crianças.

Doei muitos livrinhos mal escritos e mal ilustrados, ou seja livros que foram um verdadeiro desperdício. Substituí por boas histórias para crianças, preferencialmente os clássicos – fábulas, lendas, contos de fadas – e procuro livros bem ilustrados.

Com as histórias para crianças trabalhamos compreensão de texto. Todos os dias deixo que cada uma escolha qual livro ela quer que eu leia e lemos. Mas sem negligenciar outras leituras que contribuem mais para desenvolver também outras habilidades.
Recomendo essas duas entrevista com do professor Carlos com o Padre Paulo Ricardo. Aqui e Aqui

Educando em casa, construindo vínculos afetivos

Uma das primeiras experiências que tive de deslumbramento com a literatura se deu quando eu tinha uns 17 anos e me deparei com a obra de Clarice Lispector.

Eu simplesmente não conseguia parar de ler. Em pouco tempo li todos os livros dela que pude encontrar. Mais tarde me deparei com a biografia. Ela foi a primeira personalidade que me motivou a querer conhecer sua história e sua vida. Por seu modo intimista de escrever, sua sinceridade, seus símbolos, sua simplicidade… Aquilo me tocou profundamente. Era uma viajem no mundo interior de alguém. Uma viajem que sempre me conduzia rumo a minha própria interioridade onde os textos reverberavam apaixonadamente. Nessa semana quando fui na livraria encontrei uma coleção de livros dela para crianças!

Novamente Clarisse me possibilitou uma outra experiência inesquecível. Li para minhas filhas os livros e eis que minha pequena de 6 anos ficou fascinada por eles. Levou os livros para todos os lugares, pediu para que aqueles fossem exclusivamente dela e não da nossa biblioteca, pediu para a madrinha ler os livros para ela novamente, e depois os releu sozinha.

Não é a primeira vez que ela se encanta com uma história, mas dessa vez estava andando numa trilha que eu já percorri, e com o mesmo deslumbramento que eu já senti. Aquilo conversou com algo dentro dela daquele modo especial que a autora tem de conversar. Para mim foi muito gostoso ver minha filha viver uma experiência intelectual que eu vivi e que me foi tão cara. Minha filha não sabe, mas naquele momento criamos um vínculo novo cheio de carinho.

Esse é um dos motivos que me levam a amar partilhar da jornada intelectual delas: aprendemos juntas, testemunhamos mutuamente as alegrias e lutas umas das outras e desfrutamos da companhia uma da outra enquanto criamos um relacionamento muito rico e amoroso.