Geografia através dos contos!

Estou usando a literatura para envolver meus filhos nos estudos de geografia.

Quem acompanha nosso Homeschooling há algum tempo, pode lembrar que usávamos o livro “Maps”. Todas gostávamos muito da abordagem. Porém esse ano tenho trabalhado para que as crianças ganhem autonomia nos estudos, por isso escolhi materiais em língua portuguesa.

Em nosso ciclo do segundo semestre estou usando um pouco do método sugerido em simply Charlotte Mason. Estamos usando o livro “Volta ao mundo em 80 histórias” que para nós tem se revelado um livro vivo. Nele encontramos contos folclóricos de diversas partes do globo. Cada dia lemos uma história. E cada dia despertamos a atenção para um pedacinho do mundo. O objetivo com meus filhos de 4 e 5 anos é introduzir o conceito de que existem diferentes paisagens, animais e povos. Está sendo um trabalho muito agradável para todos nós. Juntamos nosso mapa mundi, nosso globo e mergulhamos na leitura.

Minhas filhas mais velhas, que hoje tem 8 e 10 anos estão concomitantemente lendo o livro “Mundo uma introdução para crianças” que é atrativo pelas ilustrações e que aborda conceitos mais elaborados de geografia. A tarefa que segue a leitura é fazer uma redação resumindo a leitura e um desenho para ilustrar o texto e deixar o caderno lindo.

Estou usando o livro “Trabalhando com Mapas” para verificar o aprendizado das crianças maiores. São questões em formato bem escolar. Há em cada página uma explicação brevíssima e atividades de fixação do conteúdo. Esse material elas conseguem usar sozinhas e estão se saindo muito bem.

Porque meus filhos fazem leitura em voz alta.

Uma das atividades favoritas em nosso homeschool é a leitura em voz alta. Há 10 anos todos os dias nos reunimos junto aos livros. Nosso momento de leitura está no planejamento, e é fundamental para a alfabetização, para a formação do imaginário, enfim, é o carro chefe de nosso estilo de ensino.

Valorizo a importância de ouvirem a leitura e também de lerem para que eu os ouça. Todos os alfabetizados leem em voz alta em nosso clube do livro. Isabel, que tem 4 anos, está decifrando ainda a relação entre palavras e sons, então sua participação é como ouvinte, e fica ávida por partilhar suas opiniões sobre os livros. Já Cecília, 5 anos, lê livros de poucas frases em busca da fluência. Maria e Alice exercitam a pontuação, o ritmo, a pronúncia das palavras inéditas, partilham suas reflexões e dúvidas.

Fazemos depois de cada leiteira exercícios de narração. Uma criança conta sintetizando o que ouviu e suas impressões sobre a história. Das crianças mais velhas em alguns dias eu peço um resumo escrito, enquanto que para os pequenos estímulo que Desenhem a narrativa.

Esses são momentos simples e preciosos de aprendizado suave e contínuo que deixam sua marcas no enriquecimento do vocabulário das memórias. Essas lembranças de nossa família reunida já marcou corações de nossas crianças.

Porque começar o dia de estudos com uma Caminhada ao ar livre?

Em nosso homeschool as atividades físicas ao ar livre são prioridade. Desde 2016 temos nos inspirado em Charlotte Mason e procurado colher na simplicidade das impressões deles o material para analisar o nosso mundo natural. Nem todas as vezes que saímos despendemos um tempo longo para registrar o Diário da Natureza com desenhos e notas. Na maior parte dos dias buscamos apenas nos exercitar, brincar, e encontrar uma estado interior de tranquilidade que o silêncio e a beleza do ar livre nos ajudam a despertrar. Trata-se de um tempinho de crianças ocupadas e de um tempo de meditação para a mãe. Muitas vezes, encontrar um clima favorável ou tempo na agenda para sair de casa, sendo que a casa é uma fonte infinita de trabalho, é desafiador. Porém, a tranquilidade que ganhamos após uma caminha vale o esforço. Atualmente começamos nossos dias no parque. Ao voltar para casa mergulhamos nos estudos com mais serenidade e concentração.

Como manter a casa limpa? – FAQ Homeschooling

Encontrar um equilíbrio entre manter a casa em ordem, cozinhar, cuidar de numerosos filhos e dar as aulas é um dos grandes desafios do homeschooling para a minha família e para muitas outras.

Durante o período que cuidei pessoalmente de todas essas tarefas observei que as seguintes dicas foram decisivas para o bom andamento das atividades:

Dicas para manter a casa limpa:

  • Tenha poucas coisas – quanto menos roupas, louças, brinquedos, menos coisas para limpar. Lembre-se que cada coisa em sua casa precisará de limpeza.
  • Siga uma rotina sem procrastinações, fugindo dos perfeccionismos. Faça cada tarefa da melhor forma que puder dentro do tempo estipulado para ela. Se não conseguir terminar hoje não tem problema. Dar conta de todas as tarefas é mais importante do que fazer uma única tarefa perfeitamente.
  • Delegue pequenas tarefas para os filhos sem desprezar que a soma de pequenos encargos pode ser um grande serviço. Além disso a participação na limpeza da casa é muito importante para a formação do caráter dos filhos. Crianças com mais de 6 anos podem colocar roupa na lavadora e na secadora, colocar e tirar a louça na máquina de lavar, passar aspirador em seus quartos, trocar suas roupas de cama, arrumar as próprias camas, separar as roupas e guardar nos guarda roupas. Crianças com mais de 3 anos ajudam a tirar o pó, passar pano na mesa, pôr e tirar a mesa. Colocar os objetos novamente no lugar.
  • Não deixe a tarefa de agora para fazer mais tarde sem um bom motivo, pois isso evita o acúmulo de tarefas.
  • Cada vez que entrar na internet coloque um despertador com tempo determinado para sair, é bem fácil perder horas na rede e nem perceber que o tempo passou.
  • Invista em eletrodomésticos que simplifiquem a limpeza da casa – máquinas de lavar louça, secadora, um bom aspirador de pó, panelas de slow cook. Fuja de eletrodomésticos que só eventualmente terão utilidade, pois eles ocupam espaço e demandam manutenção.

Dicas para otimizar a limpeza ao longo da rotina:

  • Acorde e já arrume a cama.
  • Antes do preparo do café já coloque a roupa para lavar.
  • Antes do banho dê uma limpadinha rápida no banheiro para conservar limpinho por mais tempo.
  • Limpe a cozinha imediatamente depois de terminar a refeição – não precisa fazer uma faxina, mas guarde o que precisa ser guardado, deixe a pia, a mesa e o chão minimamente limpos.
  • Planeje todas a refeição da semana antecipadamente montando um menu simples de receitas que podem ser preparadas em 40 minutos. Repetir o menu todas as semanas simplificou muito minha rotina.
  • Cozinhe uma vez por dia em quantidade suficiente para as outras refeições.
  • Faça as compras com antecedência.
  • Reserve uma hora por dia para a limpeza da casa. Coloque o despertador para te avisar quando o tempo acabar. Não limpe mais do que o tempo estipulado. Caso não faça isso você corre o risco ou de passar o tempo todo limpando, ou de não limpar nada pois o tamanho da bagunça é desmotivador e não dá ânimo para começar.
  • Deixe poucos brinquedos a disposição das crianças para ter sempre poucas coisas para juntar e limpar.
  • Faça as crianças juntarem suas coisas depois de usar.
  • Faça um rodízio dos brinquedos das crianças.

Desde que engravidei do sexto filho resolvemos terceirizar muitas das tarefas domésticas. Então a pergunta “como você consegue?” é respondida com uma humilde simplicidade “eu tenho ajuda”.

Como ensinar simultaneamente crianças em idades diferentes? – Homeschooling FAQ

O comum no homeschooling é que em uma família se encontrem crianças em idades distintas. Por isso o ensino tende a ser individualizado e personalizado.

Por um lado, em casa, diferentemente de na sala de aula, o ensino é individualizado, semelhante ao que acontece nas aulas particulares. Algumas famílias se organizam dedicando um horário para cada filho. Outras famílias, costumam organizar as crianças de modo que no dia a dia aconteça como nas escolas especializadas em atendimento personalizado para cada aluno – como o Kumon – no qual crianças em idades diferentes estudam silenciosamente e lado a lado em materiais distintos e adequados para o nível de aprendizado.

Para que as crianças consigam estudar em um mesmo horário e em um mesmo espaço físico, gradativamente as crianças desescolarizadas aprendem a se concentrar no próprio trabalho intelectual por períodos de tempo compatíveis com o seu nível de maturidade. Nesse formato, a mãe permite que o educando seja o protagonista e atua como auxiliadora nas dificuldades, orientadora dos próximos passos, corretora das atividades e mentora na determinação do ritmo de estudos de cada filho. Nas disciplinas de linguagem e matemática que exigem competências progressivas e cujo conteúdo é cumulativo de modo que a cada dia se avança um pouco mais é fundamental estudar individualmente com cada filho.

Por outro lado, o homeschooling pode ser semelhante a sala de aula em assuntos que permitem a abordagem independentemente de habilidades prévias. Quando percebemos que uma atividade permite a feitura por crianças em níveis de desenvolvimento diferentes, podemos trabalhar em grupo aplicando uma única explicação e aceitando que cada criança responda segundo suas potencialidades. Em minha família uso esse formato para aulas de Artes, Musicalização, apreciação artística e musical, leitura em voz alta.

Como nas turmas multiseriadas, parte dos conteúdos são informativos de modo que é possível dar uma única apresentação de conteúdo para crianças em idades diferentes. Os mais novos podem ter repertório menor e trazer dúvidas sobre aspectos que os mais velhos já superaram. Lida-se com isso respondendo com simplicidade as perguntas e exigindo mais rigor nos relatórios das crianças mais velhas. É interessante que a diversidade de idades pode trazer experiências pedagógicas muito interessantes. Pois, muitas vezes os irmão mais velhos encontrarão oportunidades de rever coisas que já sabem ao explicar para os menores quando surgirem perguntas. Em minha família estudamos Ciências e História nesse formato.

Como pais podem ensinar aos filhos assuntos nos quais não são especialistas? – Homeschooling FAQ

Nos primeiros anos de vida ensinamos conceitos elementares que qualquer adulto domina, e cujo aprendizado é espontâneo e intuitivo. É por isso que as crianças podem ficar tranquilamente em casa até os quatro anos sem precisar de instrução formal.

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Se você sabe contar até 10, se conhece as letras do alfabeto, as cores, as formas geométricas, os conceitos de antes e depois, maior e menor, você é qualificado para ensinar uma criança pré-escolar.

Com isso não pretendo diminuir a importância da pedagoga na escolinha. Pois as professoras não ensinam uma única criança, ensinam muitas crianças de mesma idade e não aparentadas entre si. Isso é um verdadeiro desafio. Fazer todos prestarem  atenção, assegurar que todos cumpriram com os objetivos, prestar atenção nas necessidades de todos, verificar se estão aprendendo, entender suas dificuldades e pensar em modos de supera-las. Para isso existe todo o sistema escolar e as professoras precisam de formação, qualificação e ainda assim assistimos muitos fracassos educacionais em nosso país.

Em casa não é assim. Temos um adulto disponível para ensinar uma criança que ama e conhece como ninguém, em cujo aprendizado tem enorme interesse, que tem toda a disponibilidade para pesquisar mil formas de ensinar no caso de encontrar alguma dificuldade. 20171002_121818.jpgÉ importante salientar que a escola, diferentemente do lar e da família,  é um ambiente artificial estruturado para manter grupos grandes de crianças seguras, e ordenado para desenvolver atividades que garantam que todas consigam desenvolver habilidades que sempre foram aprendidas em casa com naturalidade. Por exemplo, uma criança no quintal terá inúmeras experiências sensoriais ao lado da família. Não é possível uma única professora orientar em segurança 30 crianças pequenas em um quintal. Portanto é necessário reproduzir na segurança da sala de aula as experiências que todas teriam naturalmente sem mediação.

Depois, nas séries iniciais, o conteúdo de linguagem e matemática é elementar. Pais que receberam instrução escolar poderão transmitir o conteúdo com tranquilidade. Caso exista alguma dificuldade é possível procurar ferramentas, escolher métodos de ensino, pesquisar materiais compatíveis com as características do filho. Tendo em vista que é uma aula dada para uma criança em particular que terá total liberdade para fazer perguntas e que a verificação do aprendizado é imediata, não é necessário uma formação especial. No caso de o pai educador se deparar com algum assunto sobre o qual não tem conhecimento nenhum – o que é muito improvável – ele poderá aprender a matéria junto com o filho.

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Conforme a criança progride nas séries escolares e amadurece, ela vai se tornando uma leitora competente e consegue estudar autonomamente praticamente todos os tópicos necessitando apenas de auxílio para tirar dúvidas, correção de suas atividades, e de orientação no que se refere aos assuntos que devem ser estudados. No caso de surgirem eventuais dificuldades é perfeitamente cabível inscrever a criança em cursos – como Kumon, escolas de línguas, cursos de redação – ou contratar aulas particulares para o tema em questão.

 

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Como não confundir os papeis de mãe e de professora? – Homeschooling FAQ

Os pais são naturalmente os primeiros professores dos filhos. Se observarmos bem uma criança notaremos que as expressões faciais aprenderam dos pais, que articulam as palavras como os pais, que as meninas tratam as bonecas nas brincadeiras como as mães as tratam, que gritam como os pais se esses gritam com eles, ou que mantém a ordem das coisas quando assim são ensinados. Não há nenhum motivo para crer que haveria alguma dificuldade de um pai ocupar o papel de professor.

Na realidade é o papel de professor que é artificial, pois recebe a autoridade paterna emprestada para ensinar e corrigir os filhos de outras pessoas.

Alguns pais que fizeram mau uso de sua autoridade natural – ou por terem se desautorizado repetidamente, ou por sentimentalismo, ou por autoritarismo – encontram dificuldades para fazer com que os filhos obedeçam e cumpram com as atividades escolares em casa. Mas essa dificuldade não é maior do que a dos profissionais da educação que se debatem com o domínio de turma nas escolas.

Quando o ensino respeita o desejo natural de aprender que há no coração dos homens não existe um motivo para separar o papel de mãe do de professora. Ensino meus filhos a comer de boca fechada, a cumprimentar as visitas, a somar 2+2, a juntar as letrinhas para  escrever o próprio nome, a arrumar uma cama, e tudo isso sem nenhuma confusão.

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É preciso escolarizar antes dos 4 anos?

Diz-se por aí que as crianças precisam ser precocemente estimuladas e isso está alarmando indevidamente as famílias. Não basta a criança ser estimulada, precisa ser muito estimulada. Não basta ser muito estimulada, precisa ser profissionalmente estimulada. Em função disso, muitas mães têm enormes receios de ficar com seus bebês em casa. Assediam-se os pais com a ideia de que bem antes da idade pré-escolar seus filhos podem estar perdendo alguma coisa e que ficarão atrasados se não forem para a escola precocemente.

Porém, essa mentalidade esbarra em um dado paradoxal: as crianças modernas que frequentam instituições profissionais de estímulos não conseguem se equiparar  em desenvolvimento motor,  autonomia e capacidade de concentração, às crianças de antigamente que brincavam livremente no quintal. Dado que essas competências são fundamentais para o aprendizado das disciplinas escolares pode-se concluir que a estimulação profissional não é necessariamente superior ao aprendizado natural que se tem em casa. Isso evidencia que não é necessário fazer um elaborado plano pedagógico para se ficar com bebês. 


Minha experiência como mãe e como educadora é a seguinte: criança pequena não precisa de instrução formal! O melhor que podemos fazer por nossos filhos nos primeiros anos de vida é permitir que descubram o mundo organicamente, pois os frutos da estimulação precoce são muitas vezes excessivos e potencialmente prejudiciais: tédio e estresse por não darem conta de acomodar os excessos de estímulo a que são expostos.


Os conteúdos acadêmicos não são o centro da educação de meus filhos até os 4 anos, pois nessa etapa aprender é brincar. Não são necessárias atividades dirigidas ou trabalhosas, é na simplicidade amorosa de um ambiente convidativo e tranquilo que o amor pelo conhecimento é alimentado. Nos primeiros anos escutamos contos de fadas e histórias sobre pessoas virtuosas, aprendemos a respeitar os outros e a conviver em um ambiente mantendo a ordem e seguindo as regras, exploramos o mundo que nos cerca e a natureza, conhecemos e experimentamos as arte. Desta forma nossos filhos estão descobrindo as capacidades e limites  do próprio corpo e dos sentimentos, e, assim, vão desabrochando em um ritmo orgânico para as descobertas intelectuais.


A melhor escola de estimulação motora se chama parque ou quintal, a melhor escola de socialização se chama interação de qualidade com pais, irmãos e com as outras pessoas de todas as idades com que eles se deparam no cotidiano; brinquedos bons são potinhos da cozinha, pedrinhas, toquinhos de madeira; aprender a amarrar os próprios calçados e a vestir as próprias bonecas é o melhor trabalho de coordenação motora; ouvir música clássica enquanto a mãe cozinha é melhor do que aulas barulhentas com infinitos recursos, que somente são necessários para que o grupo se mantenha atento, mas que por excesso de estimulo reduzem  a atenção; pode ser ensinado mais inglês usando palavras e expressões no dia a dia do que em cursos caros.


Uma criança segura e amada em casa desabrocha naturalmente. Programas de estímulo são ótimos, mas não são uma necessidade. Existem para que quem não tem com quem brincar não fique abandonado na frente da televisão, ou para que algumas mães assoberbadas de tarefas tenham um horário na agenda para ter tempo de qualidade com o filho. Não precisamos ceder a pressão social que quer inventar necessidades para as crianças.

A melhor coisa para uma criança é a família. Entre investir em cursos, brinquedos e programas, ou investir em ter um irmão, o irmão é uma alternativa muito mais rica para o desenvolvimento humano integral.

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Pesquisas evidenciam os efeitos da socialização no homeschooling!!!

Como é possível que em uma sala de aula com alunos de uma mesma idade, mesmo bairro, mesma classe social a criança vá se deparar com mais diversidade do que frequentando a pluralidade de espaços sociais, com diferentes tipos de pessoas, em diferentes idades, em diferentes contextos, desempenhando diferentes funções?
Em entrevista à Gazeta do Povo uma psicologa se posicionou cem por cento contra o Homeschooling alegando que na escola a criança aprenderia a lidar com diferenças de estilo, cultura e comunidade. Essa é a crítica que o modelo de ensino têm enfrentado no Brasil e que precisa urgentemente ser enfrentada. Para combater os preconceitos dos que nunca pesquisaram o assunto com seriedade, mas já se posicionaram instantaneamente contra, se faz necessário trazer a luz os fatos: existem estudos sobre a socialização dos homeschoolers que comprovam que essas opiniões dos críticos não são fundamentadas. Tanto o estudo intitulado “Homeschooling Grow Up”, quanto o “|Fifteen years later” apontam que quando comparados com o restante da população da mesma idade e que frequentou a escola as crianças educadas em casa se tornaram mais socialmente engajadas, tiveram rendimentos melhores, se declararam mais felizes, estão sendo bem sucedidas em todas as esferas e acreditam que a educação domiciliar os preparou para a vida.
Leia aqui o artigo de Michael Smith, presidente da Home School Legal Defense Association (HSLDA), expondo mais sobre esses dados.
Leia aqui sobre o porquê de a socialização no homeschooling ser melhor do que a na escola.

Como conduzir o Homeschooling com uma criança pequena?

Iniciar atividades com o primeiro filho pode ser um desafio. Qual é a hora de começar? Depende. Cada criança tem um desenvolvimento particular e a resposta para essa pergunta depende da maturidade e do interesse que a criança apresenta. É bom começar a estimular os filhos bem cedo: ler para eles, propiciar atividades que desenvolvam um bom desenvolvimento das habilidades físicas, apresentar belas imagens, explicar com precisão tudo o que a criança perguntar, cantar com ela e para ela. Isso já é ensinar, mas não é necessário que se comece as atividades de escolarização em tenra idade.
   Para quem pretende começar a ensinar uma criança entre dois e três anos é bom ter em vista os seguintes aspectos:
– Homeschooling é uma modalidade de ensino que não é igual escola, então não tente trazer a escola para casa sob pena de causar frustração tanto para o educando quanto para a educadora. O tempo longo que as crianças passam na escolinha não é todo gasto com atividades educativas. Muito se despende com aspectos necessários para que uma turma realize uma tarefa: reter atenção do grupo, longas explicações, assegurar que todos cumpriram com os objetivos, deslocamento de grupo de um espaço para outro. Em casa, uma criança dessa idade não precisa ficar horas fazendo atividades. Em pouco tempo ela cumpre com todos os objetivos que levariam uma tarde toda para se atingir com um grupo. Por isso, não massacre seu filho planejando uma rotina com muitas atividades. No tempo livre, deixe ele brincar e se dedicar às atividades de outro tipo.
– Na hora de planejar sua rotina lembre-se de que é natural que a criança pequena não tenha muita concentração. Por isso não conte que ela ficará mais do que 10 minutos em uma tarefa. O ideal é prever uma sequência para mudar o foco quando ela perder o interesse. Não se preocupe em oferecer muita informação, é preciso consolidar as novidades. Portanto, a repetição é sempre bem-vinda. Apresente a mesma atividade repetidamente e não passe para outro tema sem que se tenha dominado o anterior. Poucas coisas bem feitas é melhor do que muitas mal feitas.
– Cada criança tem um ritmo. Caso seu filho não se interesse ou não consiga fazer algo que você planejou não desanime, apresente a atividade novamente depois de algumas semanas. É possível que ele ainda não tenha maturidade para realizar aquela tarefa em especial.Procure outros meios de desenvolver a mesma competência.
– Deixe seu filho fazer as coisas por si mesmo. Não segure a mãozinha ou faça por ele. Não obrigue. Sempre mostre passo a passo para a criança como se faz aquilo que você planejou, então ela irá naturalmente reproduzir do modo que conseguir. Forçar ou fazer pela criança é o melhor modo de criar antipatia pelo assunto.
– A repetição dá segurança para os pequenos. Por isso, ter uma rotina previsível ajuda muito a garantir o ritmo de estudos. Se a criança souber que em determinado horário fará uma sequência de atividades, ela passará a esperar por esse momento sem resistências. Apresentar subitamente uma série de atividades num único dia pode ser assustador. Introduza um elemento de cada vez e só apresente o seguinte quando estiver satisfeita com a rotina do anterior.
– A ideia de previsibilidade é benéfica para a vida infantil em todos os aspectos. Esse é um modo de criar tranquilidade e harmonia no ambiente familiar. Além disso, essa é a fase de ouro para se desenvolver bons hábitos que acompanharão a pessoa pelo resto da vida.
– Para iniciar uma rotina de atividades é interessante criar pequenos rituais para o momento dos estudos. Assim, a criança fica ansiosa para mostrar que já sabe o que é esperado dela e participa de tudo com alegria. Quando quero envolver a atenção da criança em algo novo e encontro dificuldade costumo criar uma música associada aquele momento ou uma sequência divertida de gestos. Por exemplo, quando está na hora das atividades começamos com uma música sobre trem, fazemos uma fila e vamos andando até os nossos materiais. Com isso, as crianças já correm para “entrar no trem”.
– É sempre bom dramatizar nos gestos e na voz para chamar atenção para si. Isso é ainda mais eficaz durante as leituras em voz alta.
– Se o seu filho não para quieto e não se atraí pelo que você propõe,comece apresentando atividades  pelas quais ele se interesse. Logo ele irá se acostumar com a ideia de fazer trabalhos dirigidos e irá aceitar o que você propuser. Minha filha nessa idade começou a prestar atenção no que eu ensinava porque amava lidar com tinta, a irmã por sua vez era mais atraída por tesouras. Caso isso demore, tenha paciência, proponha outra coisa, seu filho pode ainda não estar maduro.
– É sempre bom lembrar que crianças que passam muito tempo diante de telas (computador, televisão, tablets e afins) tendem a se concentrarem muito menos nas atividades. Na vida real nada tem o ritmo das tecnologias. Em geral, a criança acostumada com o tempo da ação virtual se entedia facilmente e não acha atrativo ouvir histórias, desenhar, brincar no quintal. Quanto menor a quantidade de tempo diante da televisão melhor e maior será a chance de ela se interessar pelo que for proposto. Vale lembrar que existem diferentes temperamentos de crianças. Algumas crianças precisam de mais movimento do que outras. É bom respeitar as inclinações naturais de cada personalidade, mas cuidando para não extremar as tendências naturais. É bom para uma criança com tendência à inatividade que se estimule a atividade física, mas é bom deixá-la livre para executar tarefas mais pacatas e que tenha tempos de ócio – que não precisam ser na frente da televisão; É bom para uma criança com tendência ao movimento que se faça atividades que exijam repouso e concentração intelectual exclusiva. Mas é bom deixá-la livre para correr e pular muito.
– Um modo importante de manter a criança focada no que está fazendo é assegurar que no ambiente onde se estuda ou executa atividades não se tenha muitos estímulos. Caso haja brinquedos, objetos muito coloridos, sons dispersantes no espaço onde ela deve fazer suas atividades, ela facilmente  poderá se distrair. Por isso a preparação do ambiente também é importante.
– Quando seu filho não para quieto reflita se ele esta gastando suficientemente sua energia física. Criança precisa testar o próprio corpo, aprender a usá-lo, ou seja, precisa se movimentar. Para melhorar a concentração é interessante desenvolver alguma atividade física antes da atividade intelectual. Depois de atividade física – correr um bom número de voltas, imitar animais, pular- a criança estará mais apta a se concentrar numa atividade mental. Outro bom recurso é propor atividades que aliem as duas coisas.
– Atenção, crianças pequenas não precisam de muito estímulo artificial.Deixar a criança explorar e desenvolver autonomia já é um bom estímulo global para a criança. Além disso, muitas mães pensam que é necessário entreter seus filhos todo o tempo. Isso gera uma dependência no filho, que passa a querer ser entretido e a ter dificuldade em suportar a solidão saudável. Eles precisam aprender sozinhos a encontrar o que fazer. Até mesmo quando alegam estarem se sentido entediados é bom, porque precisam administrar também esse sentimento.
– Tempo em playgrounds e parques nunca é tempo desperdiçado e sempre é tempo de aprendizado! Transferir areia de um balde para outro é uma brincadeira, mas é também uma atividade valiosa para os pequenos. Áreas ao ar livre estimulam o desenvolvimento de inúmeras competências físicas e favorecem a socialização com outras crianças.
– Envolva seu filho nas suas atividades da casa. Contribuir desde cedo com as atividades domésticas é ótimo para a criança em todos os aspectos. Atividades simples do dia-a-dia e proporcionais ao tamanho e a força da criança são extremamente educativas. Lavar uma colherinha, separar roupas em pilhas de categorias diferentes, estender um lençol, dobrar uma toalhinha, guardar os objetos no lugar certo são todas tarefas extremamente educativas não apenas porque ensinam a lidar com a vida prática, mas também porque desenvolvem o raciocínio e a coordenação.
– Leve consigo seu filho para suas atividades fora de casa. Isso demanda um tempo de treinamento com a criança para que ela possa aprender o comportamento adequado, mas colabora para um aprendizado muito rico sobre o mundo que o cerca, sobre a convivência entre os adultos e sobre a sociedade. Não deixe de fazer isso por receio de incomodar terceiros, educar seus filhos é mais importante do que a opinião alheia. Depois de acostumados eles certamente vão encantar os observadores devido ao bom comportamento.
– Em famílias numerosas a criança pequena entra na rotina dos mais velhos de modo orgânico e sem esforço. Por isso, começar atividades com o primeiro filho pode ser mais difícil do que com os demais. Muitas mães são impelidas a achar que seus filhos ficarão pouco estimulados em casa e que a presença de outras crianças assegura o bom desenvolvimento. Note-se, porém, que em um grupo homogêneo de crianças da mesma idade aquelas que tem irmãos são mais estimuladas do que as demais, ou seja, a socialização familiar supera a escolar e a escola não supre essa riqueza. O melhor estímulo e o melhor parceiro de atividades certamente é um irmão.