Educando em casa, construindo vínculos afetivos

Uma das primeiras experiências que tive de deslumbramento com a literatura se deu quando eu tinha uns 17 anos e me deparei com a obra de Clarice Lispector.

Eu simplesmente não conseguia parar de ler. Em pouco tempo li todos os livros dela que pude encontrar. Mais tarde me deparei com a biografia. Ela foi a primeira personalidade que me motivou a querer conhecer sua história e sua vida. Por seu modo intimista de escrever, sua sinceridade, seus símbolos, sua simplicidade… Aquilo me tocou profundamente. Era uma viajem no mundo interior de alguém. Uma viajem que sempre me conduzia rumo a minha própria interioridade onde os textos reverberavam apaixonadamente. Nessa semana quando fui na livraria encontrei uma coleção de livros dela para crianças!

Novamente Clarisse me possibilitou uma outra experiência inesquecível. Li para minhas filhas os livros e eis que minha pequena de 6 anos ficou fascinada por eles. Levou os livros para todos os lugares, pediu para que aqueles fossem exclusivamente dela e não da nossa biblioteca, pediu para a madrinha ler os livros para ela novamente, e depois os releu sozinha.

Não é a primeira vez que ela se encanta com uma história, mas dessa vez estava andando numa trilha que eu já percorri, e com o mesmo deslumbramento que eu já senti. Aquilo conversou com algo dentro dela daquele modo especial que a autora tem de conversar. Para mim foi muito gostoso ver minha filha viver uma experiência intelectual que eu vivi e que me foi tão cara. Minha filha não sabe, mas naquele momento criamos um vínculo novo cheio de carinho.

Esse é um dos motivos que me levam a amar partilhar da jornada intelectual delas: aprendemos juntas, testemunhamos mutuamente as alegrias e lutas umas das outras e desfrutamos da companhia uma da outra enquanto criamos um relacionamento muito rico e amoroso.

Em busca do Osso perdido

EducArte foi o nome para o diário online de atividades educacionais de minhas filhas que surgiu enquanto eu refletia sobre a palestra do professor  José Monir Nasser.
Nela, o professor comentara que que em matéria de educação estamos como o cachorro que enterrou o osso e esqueceu onde cavou, ou seja, perdemos completamente a pista da alta cultura. Ao assumir pessoalmente a educação de minhas filhas me percebi como uma espécie de Indiana Jones buscando redescobrir o osso perdido.
A prática da educação domiciliar é bem simples de se conduzir, contudo já nos primeiros tempos descobri que educar não é uma ciência é uma arte. Tal como numa obra de arte busca-se empregar as melhores técnicas, ferramentas, recursos, estratégias e os resultados não são matemáticos. Na educação não deve ser diferente. Como um filho é muito mais do que uma obra-prima, vale a pena fazer junto a ele essa jornada.

Aprendi que educar é também se educar e por isso dia após dia vou preenchendo as lacunas que ficaram em minha educação. A cada dia tenho que me esforçar para ser uma pessoa melhor, primeiro para que minha vida reflita as virtudes que espero ensinar, mas principalmente para que vendo minha luta para ser uma pessoa melhor elas também aprendam a lutar. Busco mais do que conhecimento, estou em busca da excelência das relações humanas, em busca de uma vida interior frutuosa, em busca da nobreza de caráter. Enfim, estamos educando para a Eternidade.

Desse modo, Educar-te é o projeto de uma mãe que está redescobrindo a Arte de Educar.
*Esse post inaugurou o nosso diário virtual. É uma grande alegria para mim revisitar nossa trajetória ao transferir o conteúdo para esse nosso novo endereço virtual. Passados alguns anos, continuo na busca pela excelência educacional, continuo na luta pela superação de minhas limitações. Mas muito satisfeita e cada vez mais confiante na Educação Domiciliar.