Geografia através dos contos!

Estou usando a literatura para envolver meus filhos nos estudos de geografia.

Quem acompanha nosso Homeschooling há algum tempo, pode lembrar que usávamos o livro “Maps”. Todas gostávamos muito da abordagem. Porém esse ano tenho trabalhado para que as crianças ganhem autonomia nos estudos, por isso escolhi materiais em língua portuguesa.

Em nosso ciclo do segundo semestre estou usando um pouco do método sugerido em simply Charlotte Mason. Estamos usando o livro “Volta ao mundo em 80 histórias” que para nós tem se revelado um livro vivo. Nele encontramos contos folclóricos de diversas partes do globo. Cada dia lemos uma história. E cada dia despertamos a atenção para um pedacinho do mundo. O objetivo com meus filhos de 4 e 5 anos é introduzir o conceito de que existem diferentes paisagens, animais e povos. Está sendo um trabalho muito agradável para todos nós. Juntamos nosso mapa mundi, nosso globo e mergulhamos na leitura.

Minhas filhas mais velhas, que hoje tem 8 e 10 anos estão concomitantemente lendo o livro “Mundo uma introdução para crianças” que é atrativo pelas ilustrações e que aborda conceitos mais elaborados de geografia. A tarefa que segue a leitura é fazer uma redação resumindo a leitura e um desenho para ilustrar o texto e deixar o caderno lindo.

Estou usando o livro “Trabalhando com Mapas” para verificar o aprendizado das crianças maiores. São questões em formato bem escolar. Há em cada página uma explicação brevíssima e atividades de fixação do conteúdo. Esse material elas conseguem usar sozinhas e estão se saindo muito bem.

Porque meus filhos fazem leitura em voz alta.

Uma das atividades favoritas em nosso homeschool é a leitura em voz alta. Há 10 anos todos os dias nos reunimos junto aos livros. Nosso momento de leitura está no planejamento, e é fundamental para a alfabetização, para a formação do imaginário, enfim, é o carro chefe de nosso estilo de ensino.

Valorizo a importância de ouvirem a leitura e também de lerem para que eu os ouça. Todos os alfabetizados leem em voz alta em nosso clube do livro. Isabel, que tem 4 anos, está decifrando ainda a relação entre palavras e sons, então sua participação é como ouvinte, e fica ávida por partilhar suas opiniões sobre os livros. Já Cecília, 5 anos, lê livros de poucas frases em busca da fluência. Maria e Alice exercitam a pontuação, o ritmo, a pronúncia das palavras inéditas, partilham suas reflexões e dúvidas.

Fazemos depois de cada leiteira exercícios de narração. Uma criança conta sintetizando o que ouviu e suas impressões sobre a história. Das crianças mais velhas em alguns dias eu peço um resumo escrito, enquanto que para os pequenos estímulo que Desenhem a narrativa.

Esses são momentos simples e preciosos de aprendizado suave e contínuo que deixam sua marcas no enriquecimento do vocabulário das memórias. Essas lembranças de nossa família reunida já marcou corações de nossas crianças.

Leitura: alimento para o imaginário

Nesse segundo semestre nossa jornada pelo universo da cultura está voltada principalmente para o enriquecimento do imaginário. Estamos focadas em nossa leituras. Sempre trazemos belas histórias, belas vidas, contos de fadas. Agora, com duas leitoras competentes, essa tarefa pode ser ampliada e facilitada. Todos os dias todos leem.
Vivemos num ambiente social no qual as pessoas têm uma imaginação muito pobre. As vidas possíveis, os valores, as virtudes e tudo o que há de beleza moral é relativizado ou tido como algo distante e fora de moda.
Lamentavelmente essa beleza está sendo substituída por histórias tolas. No mundo infantil os efeitos disso se somam aos do excesso de exposição às tecnologias e geram uma hiperestimulação que contribui para a deformação da imaginação – ou pelo menos para a poluição dela – e para uma saturação dos sentidos.
Para muitas crianças o belo e o grotesco não se distinguem mais. São apenas novas imagens num triste indiferentismo diante do que se vê e do que se ouve. São tantas imagens, sons, e tanta feiura estética e moral que se perde a sensibilidade para a beleza e para a contemplação.
Na contramão dessa triste tendência é possível experimentar um efeito interessantíssimo que as belas histórias têm sobre as crianças. Lemos alguns livros da condessa de Segúr e aos poucos as crianças foram aprendendo a ficar em silêncio e prestar atenção. Agora já vibram com as virtudes e se indignam diante da maldade. Histórias toscas e mal elaboradas – o mundo do Bob esponja – já não as atraem.
Nossa fórmula é: leitura, leitura e mais leitura. Quando limitamos o tempo que as crianças passam na frente de uma tela para poucas horas restritas ao final de semana, nossas crianças ficaram mais interessadas na fantasia e na imaginação e consequentemente centrada na audição e na leitura de histórias.
Isso vai criando um alicerce de poesia e beleza onde se poderá mais tarde construir camadas mais sofisticadas de discurso.

Como ensino Matemática para meus filhos em casa

Acompanhar o desenvolvimento cognitivo de uma criança nos possibilita atuar no desenvolvimento introduzindo as técnicas mais eficientes para cada tipo de personalidade e de inteligência.
Esse ano, estamos usando três abordagens diferentes no ensino de matemática:
– materiais manipulativos de inspiração montessoriana,
– livros da editora Kumon publisher,
– livro didático “Mathematics” da Seton Press.
Elaboramos essa proposta porque, se por um lado, a diversificação de atividades e estratégias pedagógicas faz com que o assunto não seja excessivamente cansativo e mantenha o interesse pela novidade, por outro lado a constância e a repetição proporcionam a acomodação do aprendizado e asseguram a consolidação profunda das matérias apreendidas. Tentamos administrar as duas necessidades proporcionando constância com o trabalho do Kumon, atração pela descoberta autônoma com as atividades montessorianas e acompanhamos a grade curricular pertinente a série escolar seguindo o material da Seton.
A Escala Causinaire possibilita abordar uma gama imensa de conceitos tornando-os mais fáceis de serem percebidos mediante a feitura dos jogos nos quais a criança pode trabalhar autonomamente. O material acelera a compreensão dos conceitos matemáticos e dá a possibilidade de a criança descobrir, entender verdadeiramente e trabalhar sem muita mediação de adulto de forma que a ação pedagógica se restringe a apresentar o material e dar uma demonstração de como trabalhar com ele, propondo atividades que a criança desenvolve sozinha. Esse trabalho já nos trouxe agradáveis surpresas: Alice descobriu sozinha, e ficou encantada com a ideia, que a ordem dos fatores não altera o resultado.
Acreditamos nos patentes resultados da repetição para a fixação dos conteúdos. Por isso trabalhamos diariamente os livros da Kumon Publisher, cujo método é excelente para as diversas faixas etárias. Uma criança de 2 anos aprende o manejo do lápis, da tesoura, formas, e desperta para as noções elementares da sequência lógica, quantidades; ela também se depara com os nomes, formas e sequência dos números. Uma criança de 5 anos já pode trabalhar de modo mais significativo com os números e suas quantidades, com somas simples, com colagens e dobraduras, com números e sequências. Enquanto que aos 7 anos a criança já está inserida no universo das operações, e aprofundando o caminho cognitivo que vagarosamente foi trilhado no desenvolvimento dessas competências.
O trabalho lento e constante com livros e jogos, com disciplina e autonomia, com aplicações práticas e dirigidas da aplicabilidade na vida de tudo que aprendemos e estamos aprendendo – contar o tempo, medidas de massa, de comprimento e capacidade; noções de geometria plana e espacial, teoria de conjuntos, sistema monetário – objetiva estabelecer uma base sólida do raciocínio lógico e matemático.

Como ensino Língua Portuguesa para meus filhos

Nosso principal objetivo para 2015 é investir na leitura. Como nossas crianças estão adiantadas na alfabetização e lendo muito bem para as respectivas idades, consideramos que nossa meta nessa etapa é a fluência em leitura. Todos os dias todos lêem. Lêem em silêncio, lêem umas para as outras, escutam diversos tipos de leitura. Um bom trabalho de enriquecimento do imaginário.
Iniciamos esse ano – inspirados nos estudos que fizemos de pedagogia católica para aplicação das famílias e na palestra do professor Rafael Falcon As Crianças e o Trivium – um trabalho de linguagem que faz uso de textos clássicos. Reservamos um tempo expressivo para esse tipo de atividade. A Leitura, a compreensão de texto, a análise semântica e lexical se dão em paralelo, despertando a inteligência para o conteúdo valoroso que essas histórias trazem.
Recitamos poesias e as decoramos, fazemos cópias de textos para treinar a escrita caligráfica e também para nos demorarmos na observação de como os elementos da frase se comunicam e se ordenam.
Essa abordagem mais profunda e lenta é a preferida das crianças e é a que nos dá mais frutos.
Adotamos também dois materiais didáticos distintos para cada criança. Para Alice, que está precocemente alfabetizada, estamos trabalhando o livro “Casinha feliz” e o “Alfabetização Fônica”.
As abordagens do conteúdo são diferentes e complementares.
Alternando entre um livro e outro o mesmo conteúdo é apresentado de maneiras diferentes e é exercitado o suficiente para a assimilação.
Enquanto o primeiro livro traz histórias para apresentar os fonemas e músicas para criar um ambiente atrativo, o segundo trabalha de modo mais detalhado e dá uma rotina de atividades que permitem que a criança infira alguns padrões da língua.
Já para a Maria, uma criança em uma etapa mais adiantada da alfabetização, estamos trabalhando o livro “Descobrindo a Gramática” e o livro “Caminho Suave”.
O primeiro tem uma linguagem mais aparentada com a das revistinhas e das atividades de entretenimento, e trabalha o conteúdo gramatical.
O segundo apresenta atividades de compreensão de texto, vocabulário e ditados que propiciam o desenvolvimento de habilidades de importância vital.
Somando esses recursos temos teatrinhos, histórias lúdicas para memorização das nuances da língua, entendimento de texto, músicas, produção de texto, estudo de vocabulário, estudo de ortografia.

 

Como ensino História, Geografia, Literatura e Arte de modo interdisciplinar para meus filhos em casa

Nosso planejamento para 2015 é dar os primeiros passos sistemáticos no estudo de História Geral. Nossos estudos de Literatura, História, Arte e Geografia são concomitantes e interdisciplinares.
Inspirada no livro The Well Trained Mind de Susan Wise Bauer  decidi não abordar esse assunto como o fazem nas escolas. O modo como as humanidades são apresentadas nos livros didáticos das séries iniciais, partindo do mundinho infantil para o universo da cultura, é um tanto problemático, pois estimula uma concepção de mundo na qual a criança é de certa forma o centro do universo.
Por esse motivo, optei por uma abordagem clássica nos moldes da educação inspirada no Trivium. Ou seja, partindo do universo que nos cerca e do legado cultural que recebemos vamos caminhar lentamente para entender a nossa realidade. Desta forma, vamos mergulhar no passado e começaremos pelo Mundo Antigo.
Como não encontramos materiais verdadeiramente adequados para essa proposta em nossa língua, trabalharemos com enciclopédias e muitos livros paradidáticos. O currículo que seguiremos como linha mestra estará nas leituras em língua inglesa do material Story of the Word.
Além disso nosso objetivo é criar condições para uma compreensão profunda sem desrespeitar os limites da idade e do entendimento de mundo que hoje elas têm. Ou seja, trabalharemos fornecendo imagens e informações para que se possa compor uma ideia de como era a paisagem, a arquitetura, a arte. Isso será somado à leitura de textos clássicos e de livros ambientados no período para que se possa perceber como aquelas pessoas entendiam e sentiam o mundo.
Nossa técnica se compõe de leituras autônomas e leituras em grupo. Depois as crianças recontam e desenham o que aprenderam. Elas trabalham com mapas que representam os espaços nos quais os fatos sucederam, colorem imagens que apresentam o cenário visual que aprenderam, fazem projetos de artes, e sempre que possível assistem a filmes que retratam o momento histórico e a documentários.
Fizeram no ano passado um trabalho referente à pré-história e a civilização egípcia. Os egípcios foram de tal forma atrativos que as crianças pediram para insistirmos no tópico. Munidas de mais materiais continuamos nosso projeto e logo seguiremos para a Antiguidade Clássica.
Construindo pirâmides
Enciclopédias
Geografia do Mundo Antigo, Arte e literatura
Material didático, livros de colorir e de projetos artísticos

 

Como ensino Ciências para meus filhos em casa

Em nossa primeira etapa de estudos de ciências estudaremos Botânica. Para isso, vamos usar o livro “Reino Verde” da coleção Mundo da Criança.
Nosso intuito é trabalhar respeitando as curiosidades das crianças, mas também conduzindo a atenção para produzir o interesse pelos assuntos pertinentes. Semana passada, enquanto escolhíamos feijão, minha filha perguntou sobre a origem do feijão na natureza. Resolvemos plantar o feijão e acompanhar o resultado.
Optamos por trazer assuntos associados aos fenômenos e às coisas que podemos observar na natureza e com isso orientar a atenção. Não introduziremos teorias ou conceitos muito abstratos que não façam referência a nada que tenha realidade no mundo da criança. Idealmente pretendemos auxiliar a contemplação das coisas.
As plantas dão margem para muitas atividades práticas e fascinantes. Nessa primeira semana focamos nossa atenção nas sementes: tivemos o prazer de ver os feijões se proliferarem e analisamos diversos tipos de sementes. Pesquisamos e aprendemos o que elas são e suas partes.
Na sequência, fizemos uma atividade interdisciplinar de Artes com os vegetais que utilizamos para desenvolver o estudo de botânica. Empregamos os frutos como ferramentas para compor pinturas com tinta guache.