Geografia através dos contos!

Estou usando a literatura para envolver meus filhos nos estudos de geografia.

Quem acompanha nosso Homeschooling há algum tempo, pode lembrar que usávamos o livro “Maps”. Todas gostávamos muito da abordagem. Porém esse ano tenho trabalhado para que as crianças ganhem autonomia nos estudos, por isso escolhi materiais em língua portuguesa.

Em nosso ciclo do segundo semestre estou usando um pouco do método sugerido em simply Charlotte Mason. Estamos usando o livro “Volta ao mundo em 80 histórias” que para nós tem se revelado um livro vivo. Nele encontramos contos folclóricos de diversas partes do globo. Cada dia lemos uma história. E cada dia despertamos a atenção para um pedacinho do mundo. O objetivo com meus filhos de 4 e 5 anos é introduzir o conceito de que existem diferentes paisagens, animais e povos. Está sendo um trabalho muito agradável para todos nós. Juntamos nosso mapa mundi, nosso globo e mergulhamos na leitura.

Minhas filhas mais velhas, que hoje tem 8 e 10 anos estão concomitantemente lendo o livro “Mundo uma introdução para crianças” que é atrativo pelas ilustrações e que aborda conceitos mais elaborados de geografia. A tarefa que segue a leitura é fazer uma redação resumindo a leitura e um desenho para ilustrar o texto e deixar o caderno lindo.

Estou usando o livro “Trabalhando com Mapas” para verificar o aprendizado das crianças maiores. São questões em formato bem escolar. Há em cada página uma explicação brevíssima e atividades de fixação do conteúdo. Esse material elas conseguem usar sozinhas e estão se saindo muito bem.

Planejamento para meus filhos de 2 e 3 anos

Criança pequena não precisa de escola, portanto crianças tão pequenas não precisam de homeschooling.

O enfoque da educação de meus filhos antes dos 4 anos não são atividades pedagógicas dirigidas. Minha meta nessa fase é criar um ambiente seguro e estimulante que permita que eles desenvolvam naturalmente suas potencialidades físicas, intelectuais e emocionais.

8 principais pontos do meu planejamento:

1- Brincadeira expontâneas ao ar livre para um bom desenvolvimento motor e sensorial. 

Aos 2 anos o desenvolvimentos motor e sensorial é pré requisito para o desenvolvimento intelectual e dá os fundamentos para o posterior desenvolvimento das habilidades linguísticas e matemáticas. Por isso mais importante do que livros e cadernos são as atividades ao ar livre, em meio a natureza, em parquinhos onde se possa escalar, arrastar, se sujar na areia, pisar na grama, na terra.

Dar liberdade para a criança explorar sem ficar cerceado seus passos, sem ter medo de um eventual joelho ralado é muito importante para desenvolver a autoconfiança e a autonomia. 

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2- Rotina:

A previsibilidade dos dias dá um senso de segurança e estabilidade para as crianças que tendem a ser mais cooperativas quando sabem o que esperar dos dias e o que é esperado delas. Por isso é importante inserir a criança de 2 anos na rotina familiar de modo ativo e confiante. Uma rotina estruturada tendo como pilares os hábitos básicos – sono, higiene, alimentação e ordem – é fonte de tranquilidade. 

3- Bons Hábitos

Desenvolver bons hábitos na primeira infância propicia o desenvolvimento posterior de virtudes e favorece o equilíbrio necessário para os estudos. Por isso, é muito importante investir em metas concretas e facilmente realizáveis para desenvolver um ambiente de obediência, respeito, ordem, autonomia.  

4- Leitura em voz alta

Nessa idade a exposição à linguagem culta permite que a criança adquira com naturalidade um maior vocabulário e recursos expressivos.  Em meu planejamento a leitura em voz alta de romances, poesia, salmos é diária e dura aproximadamente uma hora.

Para manter um pequeno de 2 anos silencioso durante a leitura é interessante oferecer atividades manuais tranquila.  Lego, giz de cera e papel, blocos, massinha de modelar são bons recursos.

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5- Exercício de Narração ou modulação da linguagem

Ler livros infantis com histórias curtas, rimadas, bem ilustradas é uma ótima oportunidade para auxiliar a criança no desenvolvimento da fala. Primeiro podemos ler e mostrar  as figuras ensinando seus nomes, a criança vai tentar repetir. Mais tarde podemos mostrar as figuras e perguntar o que aconteceu em cada parte da história. Conforme a criança amadurece podemos estimular que reconte a história. Esses são os primeiros passos rumo à educação clássica.

6- Musica, Beleza e arte:

Expor a criança às artes e a beleza é fundamental. Dois pontos importante de nossa rotina de estudos são a audição musical de música clássica – que é uma vitamina para o cérebro-, e os livros com imagens de grandes obras de artes.

Além disso, cantar o cancioneiro popular e brincar de cantigas de roda é um bom trabalho de pré-alfabetização que pode ser feito de modo recorrente.

7- Livros e Cadernos?

Quem tem um filho de dois anos com irmãos mais velhos pode se deparar com um bebezão querendo rabiscar os cadernos dos irmãos e pedindo para estudar antes mesmo do desfralde. É bom disponibilizar livros de colorir, livros de grafismo, caderno com carimbos, atividades com tinta.

Em minha família, a feitura dessas atividades aos dois anos visa entreter a criança, já aos 3 anos há um interesse maior em recortar e colar ou em desenhar. 

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8- Atividades Dirigidas

As atividades dirigidas visam assegurar que meus filhos passem por todo tipo de estímulo. São brincadeiras que realizamos em grupo, mas avalio o desempenho de cada um conforme a idade.

Segunda Terça Quarta Quinta Sexta
Atividades extraídas do livro Coordeção motora Atividades de psicomotrici-dade Atividade catequética montessoriana: Atividade do livro Consciência fonológica Artes:
Cantigas de roda, e jogos com o cancioneiro popular Atividades  do Livro Slow and Steady get me ready Jogos do curso de pré-alfabetização. Atividade do Livro Slow and Steady get me ready Musicalização

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Dica de atividades para crianças de 0-4 anos derivadas da Leitura em voz alta em família

Faço todos os dias pelo menos uma hora de leitura em voz alta para as crianças. Baseada no método de ensino de Charlotte Mason procuro tornar nossas lições breves e seguidas de exercícios de narração. Assim que terminamos um capítulo, uma das crianças reconta a história oralmente.

Nesse mesmo horário procuramos decorar poesias e salmos, aprendemos sobre os evangelhos, lemos História Geral e livros literários associados ao momento da história que estamos estudando, aprendemos sobre ciências, mas também nos deleitamos com as leituras de Contos de Fadas.

Esses momentos junto aos livros, que são ansiosamente esperados por meus filhos,  se tornam mais significativos quando conseguimos desdobrar a experiência literária em outras atividades ao longo do dia.

Nessa  semana lemos a história “Sopa de pedra”, mais tarde naquele dia, durante nosso momento dedicado à música, ouvimos “Sopa Supimpa”. Foi uma grande alegria para as crianças pequenas reconhecer que se tratava da mesma história. Aprendemos a cantá-la e cantamos muitas vezes enquanto nos deslocávamos no trânsito. No final do dia nenhum alimento seria mais festejado do que a sopa feita pela bisavó.

  • porque jantamos com o computador na mesa? É o modo que encontramos de trazer o Papai para a reunião familiar quando ele está viajando.

Do mesmo livro, lemos em outro dia a história do Homem Biscoito. Terminada a leitura houve um pedido unânime: fazerem elas próprias seus homens biscoitos. Modelar a massa foi uma divertida atividade de motricidade fina para as mais novas. Contaram as medidas e fizeram a experiência sensorial da farinha, do óleo. No final aproveitaram o lanchinho.

Uma excelente forma de fazer pré-escola em casa é envolver a criança na dinâmica da família. Não é preciso um currículo elaborado de aulas, basta boa vontade para responder com simplicidade o que a criança perguntar, e permitir que ela faça por si mesma  algumas das coisas que faríamos mais rapidamente sozinhas.

 

 

A importância de educar no deslumbramento e na realidade

O artigo “La importancia de educar en el asombro y en la realidad”escrito pela neurocientista  autora dos livros Educar en el asombro e Educar en la realidad explicita que na educação de crianças o vínculo afetivo com o educador é um elemento fundamental para o bom desenvolvimento. Disso, podemos concluir que a atuação dos pais como principais educadores favorece o desenvolvimento intelectual dos filhos. Portanto é muito conveniente que assumam o papel de professores. Talvez disso derive os inúmeros sucessos acadêmicos das crianças educadas em casa. Segue uma tradução livre do artigo:

A Importância de Educar no Assombro e na Realidade:

“Agora vamos fazer um registro. Nós vamos pintar um coelho que vive em uma fazenda. Então vamos ver algumas letras no tablet. E, em seguida, vamos ouvir uma gravação em Inglês. E, finalmente, eu vou explicar por que precisam ser generosos. ” O que acontece com uma criança de 4 anos de idade em uma classe como esta? Como as crianças aprendem? Será que eles aprendem através de chips, displays e discursos?
As crianças nascem com um assombro diante do mundo. Esse deslumbramento ou assombro é “não dar o mundo por suposto”. Tomás de Aquino disse que o assombro é “o desejo de conhecer”. O que assombra? A beleza da realidade. As crianças precisam de realidade para aprender, porque o cérebro humano é feito para aprender na realidade. As crianças, por exemplo, precisam de experiências sensoriais concretas para entender o mundo e para compreenderem-se a si mesmos. De fato, estudos recentes em neurociência confirmam que a memória semântica (de conhecimentos conceituais) e a memória biográfica (de acontecimentos vividos pelas experiências concretas) ainda não são diferenciadas na infância. Estas duas memórias, gradualmente, ao longo da adolescência diferenciam-se. Isso indica que as crianças não aprendem as coisas através de palestras, fichas ou telas, mas precisam de experiências reais e relações interpessoais diretas.
Crianças precisam tocar o coelho, e não pintá-lo em um caderno. Eles precisam ver e sentir o cheiro da fazenda, não ouvir sobre isso. Para internalizar generosidade, eles precisam ver a beleza desta virtude em ação, não ouvir discursos sobre o assunto. Para aprender uma língua, precisam ouvir falar uma pessoa de carne e osso e que os quer bem (seu cuidador primário). Por exemplo, estudos confirmam que as crianças não aprendem línguas nem com CD nem com DVD, e até mesmo os meios de comunicação podem contribuir para a redução do vocabulário em crianças pequenas. Estudos sobre Video Deficit Effect confirmam que há um déficit de aprendizagem quando uma criança aprende através da tela em vez de “ao vivo”. E assim, se dizemos para uma criança parar de gritar, mas fazemos isso gritando, pode ocorrer o efeito oposto. Sussurrando conseguiríamos obter mais resultados.
Crianças triangulam entre a realidade e a pessoa que assume o papel de mediador entre eles e a realidade. Em casa, os mediadores são os pais,enquanto na sala de aula é o professor. Qual é a primeira coisa que uma criança faz quando encontra um caracol no pátio da escola? “Olhe!” Ele vai correndo para seu professor dizendo. Como disse Rachel Carson, “para manter vivo o senso inato de admiração em uma criança, é necessária a companhia de pelo menos um adulto que possa compartilhá-lo”. Se o professor se assusta com o caracol, a criança vai fazer o mesmo e o jogará ao chão. Se o professor aprova, a criança vai começar a brincar com o molusco sem medo. Por isso disse Madre Teresa de Calcutá “não se preocupe se seus filhos não escutam, eles te observam todo o dia.” Crianças medem a realidade através dos nossos olhos, e se alinham.
Qual é o pilar que fundamenta o triângulo entre a criança e a realidade? É o vínculo de apego. Por esta razão, é importante que cada criança possa desenvolver uma ligação segura com o seu educador. Essa ligação transforma o educador em uma base de exploração segura para que a criança possa se lançar ao aprendizado, movido pelo assombro. O apego seguro é um vínculo de confiança que resulta de se ter atendido prontamente as necessidades básicas da criança. Como um professor pode atender prontamente as necessidades básicas de cada criança em uma classe de 15 ou 20 crianças? Boa pergunta, talvez pudéssemos fazer essa pergunta para a pessoa na educação infantil.
Em suma, o papel do professor é triplo. Em primeiro lugar é perceber as necessidades da criança através da sensibilidade. Em segundo lugar, calibrar a realidade para a criança. Em terceiro lugar, acompanhar a criança calmamente na sua exploração. Nenhuma destas tarefas pode ser realizada por uma tela, por isso tanto a sensibilidade para  “calibrar a realidade”, quanto o acompanhamento discreto são atos profundamente humanos que não podem ser feitos por um dispositivo ou por aplicação de um algoritmo por mais perfeito que seja.
Em conclusão, em um mundo educativo cada vez mais “digitalizado”, é preciso lembrar que o papel do professor tem muito mais transcendência do que imaginamos. Não somente porque o professor é quem da base para a realidade, mas também porque transmite aos seus alunos as atitudes que vivencia com sua vida. Porque a beleza que assombra só é transmitida por meio da beleza. É necessário que os professores percebam o impacto que eles têm e terão, não só em toda uma geração de crianças, mas também no futuro da humanidade, porque, como Kundera disse: “As crianças não são o futuro porque um dia serão mais velhas, mas porque a humanidade vai parecer cada vez mais com a criança, porque a criança é a imagem do futuro “.

O que ensinar nos primeiros anos de vida segundo o método de Charlotte Mason?

Para Charlotte Mason nos primeiros anos devemos estabelecer as bases da educação, por isso enfatizou três áreas nas quais os pais devem se concentrar: bons hábitos, brincadeiras ao ar livre, e leitura. Deve-se destinar todos os dias tempo para ler em conjunto bons livros – incluindo a Bíblia. Fazendo isso, relaxe. Pois, assim você estará ofertando a melhor educação possível. O desenvolvimento acadêmico pode esperar; bons hábitos e valores não podem. Ela acreditava que o dever de um pai nessa fase é alimentar uma criança diariamente com amor e nobres idéias.

Charlotte Mason se baseia na ideia de que temos de educar um ser humano integralmente e não apenas sua mente. Para tanto, o método se baseia em três pontos fundamentais: educação é uma atmosfera, uma disciplina, uma vida.

Por “atmosfera” entende-se o ambiente da criança ao longo de seu crescimento, pois a criança absorve conforme assiste e ouve o seu entorno. As ideias que regem a sua vida como um pai passarão para seu filho se forem efetivamente aplicadas em seu modo de viver. Nossos filhos estão nos observando todos os dias e isso é uma das principais fontes de seu aprendizado.Portanto, precisamos nos perguntar: ” Que idéias verdadeiramente governam a minha vida? ” O seu filho está aprendendo que a raiva é a maneira de responder a conflitos, ou ele está absorvendo uma atmosfera de pacificação? Ele está sendo educado na “arte” de preocupação e ansiedade, ou ele está aprendendo a confiar no Senhor, mesmo nas pequenas coisas da vida?

Por “disciplina” entende-se que os hábitos cultivados na infância representam um terço dos elementos estruturantes da formação da criança. Ensinar a criança a concentrar-se atentamente nas atividades praticadas e buscar sempre uma execução perfeita é um dos princípios fundamentais nesse trabalho. Os bons hábitos advêm da repetição de uma determinada ação e deles muitas virtudes advirão.

Por “vida” Charlotte se refere aos conhecimentos acadêmicos que devem ser apresentados como pensamentos vivos.

Os livros selecionados são chamados de Livros Vivos, que são aqueles escritos por autores apaixonados pelo tópico e que por isso são capazes de tornar o conteúdo vivaz.

Ela estimula que se apresente as obras de grandes artistas e compositores para as crianças e que se permita que elas passem tempo apreciando e conhecendo pessoalmente seus trabalhos.

Não é de admirar que muitos homeschoolers adotam essa forma de educar pois é muito rica, compatível com o ambiente doméstico e nela se descortina para a criança o amor pelo aprendizado em si mesmo.


Charlotte Mason nos primeiros anos:

1-Brincar livremente:

Dê ao seu filho tempo de sobra para brincar livremente. Permita que ele se exercite ao ar livre e gaste muita energia e que se aproxime das maravilhas da criação de Deus no mundo que nos circunda.

2- Bons hábitos:
Os três principais hábitos que Charlotte recomenda que se trabalhem são:
– Completa atenção,
– Obediência pronta,
– Veracidade.
Esses são fundamentais que se estabeleçam durante os anos pré-escolares.

3- Leia:
Faça leituras em voz alta para o seu filho todos os dias. Lembre-se que você está cultivando o gosto dele a partir dos livros que selecionar, por isso não se contente com história tolas, aquelas que assumem que o seu filho não pode entender frases bem elaboradas, dê ao seu filho uma boa história, interessante e com grandes ilustrações. Além disso, não deixe de apresentar a Bíblia.

É preciso escolarizar antes dos 4 anos?

Diz-se por aí que as crianças precisam ser precocemente estimuladas e isso está alarmando indevidamente as famílias. Não basta a criança ser estimulada, precisa ser muito estimulada. Não basta ser muito estimulada, precisa ser profissionalmente estimulada. Em função disso, muitas mães têm enormes receios de ficar com seus bebês em casa. Assediam-se os pais com a ideia de que bem antes da idade pré-escolar seus filhos podem estar perdendo alguma coisa e que ficarão atrasados se não forem para a escola precocemente.

Porém, essa mentalidade esbarra em um dado paradoxal: as crianças modernas que frequentam instituições profissionais de estímulos não conseguem se equiparar  em desenvolvimento motor,  autonomia e capacidade de concentração, às crianças de antigamente que brincavam livremente no quintal. Dado que essas competências são fundamentais para o aprendizado das disciplinas escolares pode-se concluir que a estimulação profissional não é necessariamente superior ao aprendizado natural que se tem em casa. Isso evidencia que não é necessário fazer um elaborado plano pedagógico para se ficar com bebês. 


Minha experiência como mãe e como educadora é a seguinte: criança pequena não precisa de instrução formal! O melhor que podemos fazer por nossos filhos nos primeiros anos de vida é permitir que descubram o mundo organicamente, pois os frutos da estimulação precoce são muitas vezes excessivos e potencialmente prejudiciais: tédio e estresse por não darem conta de acomodar os excessos de estímulo a que são expostos.


Os conteúdos acadêmicos não são o centro da educação de meus filhos até os 4 anos, pois nessa etapa aprender é brincar. Não são necessárias atividades dirigidas ou trabalhosas, é na simplicidade amorosa de um ambiente convidativo e tranquilo que o amor pelo conhecimento é alimentado. Nos primeiros anos escutamos contos de fadas e histórias sobre pessoas virtuosas, aprendemos a respeitar os outros e a conviver em um ambiente mantendo a ordem e seguindo as regras, exploramos o mundo que nos cerca e a natureza, conhecemos e experimentamos as arte. Desta forma nossos filhos estão descobrindo as capacidades e limites  do próprio corpo e dos sentimentos, e, assim, vão desabrochando em um ritmo orgânico para as descobertas intelectuais.


A melhor escola de estimulação motora se chama parque ou quintal, a melhor escola de socialização se chama interação de qualidade com pais, irmãos e com as outras pessoas de todas as idades com que eles se deparam no cotidiano; brinquedos bons são potinhos da cozinha, pedrinhas, toquinhos de madeira; aprender a amarrar os próprios calçados e a vestir as próprias bonecas é o melhor trabalho de coordenação motora; ouvir música clássica enquanto a mãe cozinha é melhor do que aulas barulhentas com infinitos recursos, que somente são necessários para que o grupo se mantenha atento, mas que por excesso de estimulo reduzem  a atenção; pode ser ensinado mais inglês usando palavras e expressões no dia a dia do que em cursos caros.


Uma criança segura e amada em casa desabrocha naturalmente. Programas de estímulo são ótimos, mas não são uma necessidade. Existem para que quem não tem com quem brincar não fique abandonado na frente da televisão, ou para que algumas mães assoberbadas de tarefas tenham um horário na agenda para ter tempo de qualidade com o filho. Não precisamos ceder a pressão social que quer inventar necessidades para as crianças.

A melhor coisa para uma criança é a família. Entre investir em cursos, brinquedos e programas, ou investir em ter um irmão, o irmão é uma alternativa muito mais rica para o desenvolvimento humano integral.

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Como ensinar Inglês para crianças pequenas?

Observei que nas aulas de inglês para crianças pequenas do Gymboree as professoras falam em inglês com a criança e imediatamente repetem a frase em português. Magicamente as crianças vão aprendendo o vocabulário e tentando usar também. Comecei a empregar esse método com as minhas filhas e o desempenho em inglês melhorou bastante. Contudo, muitas mães que não falam inglês se sentem incapacitadas de aplicar essa técnica. Mas ela é acessível para qualquer um.
1- Escolha um tema e selecione algumas poucas palavras. Pode ser as cores, os números, os alimentos, as roupas, os animais;
2- Apresente as palavras para o seu filho na língua estrangeira;
3- Use ao longo do seu dia essas palavras enquanto conversam; Você perceberá que ele passará a usar esse vocabulário e vai reter na memória o seu significado por empregá-lo em diferentes contextos.
4- É possível fazer o mesmo com frases. Ensine seu filho uma frase por semana explicando o que significa cada palavrinha;
5- Use no dia a dia a frase sempre que possível;
6- Passada uma semana a criança e a mãe já terão assimilado e estarão prontas para acrescentar novos termos e novas frases em seu vocabulário sem grande esforços ou grandes investimentos de tempo sobre o assunto.
7- Certamente seu filho apreciará fazer atividades sobre o tema: recortar e colar os objetos, escrever as palavras, preparar os alimentos dos quais aprendeu os nomes, ouvir músicas em outro idioma para se acostumar com a sonoridade da língua. Mas o simples uso das palavras já é suficiente e é o melhor recurso.
Isso é acessível para todas as mães, mesmo as mais ocupadas ou as que não sabem absolutamente nada da língua estrangeira podem aprender conforme ensinam.
Uma das necessidades e também das alegrias do homeschooling é aprender junto com os filhos ou aprender para se ensinar os filhos. Quando educamos precisamos estar sempre dispostos a pesquisar e ter a humildade para reconhecer o que não sabemos. O trabalho de pesquisa e aprendizado para pais que educam em casa é uma constante. Não é necessário dominar todo o conhecimento universal para ensinar crianças. Os dois pré-requisitos básicos para se ensinar um assunto novo que tanto para meu filho quanto para mim é desconhecido é a boa disposição para aprender e pesquisar. Não necessariamente precisamos assimilar tudo de uma vez só. Antes de mais nada, é necessário ter paciência e constância.

Como conduzir o Homeschooling com uma criança pequena?

Iniciar atividades com o primeiro filho pode ser um desafio. Qual é a hora de começar? Depende. Cada criança tem um desenvolvimento particular e a resposta para essa pergunta depende da maturidade e do interesse que a criança apresenta. É bom começar a estimular os filhos bem cedo: ler para eles, propiciar atividades que desenvolvam um bom desenvolvimento das habilidades físicas, apresentar belas imagens, explicar com precisão tudo o que a criança perguntar, cantar com ela e para ela. Isso já é ensinar, mas não é necessário que se comece as atividades de escolarização em tenra idade.
   Para quem pretende começar a ensinar uma criança entre dois e três anos é bom ter em vista os seguintes aspectos:
– Homeschooling é uma modalidade de ensino que não é igual escola, então não tente trazer a escola para casa sob pena de causar frustração tanto para o educando quanto para a educadora. O tempo longo que as crianças passam na escolinha não é todo gasto com atividades educativas. Muito se despende com aspectos necessários para que uma turma realize uma tarefa: reter atenção do grupo, longas explicações, assegurar que todos cumpriram com os objetivos, deslocamento de grupo de um espaço para outro. Em casa, uma criança dessa idade não precisa ficar horas fazendo atividades. Em pouco tempo ela cumpre com todos os objetivos que levariam uma tarde toda para se atingir com um grupo. Por isso, não massacre seu filho planejando uma rotina com muitas atividades. No tempo livre, deixe ele brincar e se dedicar às atividades de outro tipo.
– Na hora de planejar sua rotina lembre-se de que é natural que a criança pequena não tenha muita concentração. Por isso não conte que ela ficará mais do que 10 minutos em uma tarefa. O ideal é prever uma sequência para mudar o foco quando ela perder o interesse. Não se preocupe em oferecer muita informação, é preciso consolidar as novidades. Portanto, a repetição é sempre bem-vinda. Apresente a mesma atividade repetidamente e não passe para outro tema sem que se tenha dominado o anterior. Poucas coisas bem feitas é melhor do que muitas mal feitas.
– Cada criança tem um ritmo. Caso seu filho não se interesse ou não consiga fazer algo que você planejou não desanime, apresente a atividade novamente depois de algumas semanas. É possível que ele ainda não tenha maturidade para realizar aquela tarefa em especial.Procure outros meios de desenvolver a mesma competência.
– Deixe seu filho fazer as coisas por si mesmo. Não segure a mãozinha ou faça por ele. Não obrigue. Sempre mostre passo a passo para a criança como se faz aquilo que você planejou, então ela irá naturalmente reproduzir do modo que conseguir. Forçar ou fazer pela criança é o melhor modo de criar antipatia pelo assunto.
– A repetição dá segurança para os pequenos. Por isso, ter uma rotina previsível ajuda muito a garantir o ritmo de estudos. Se a criança souber que em determinado horário fará uma sequência de atividades, ela passará a esperar por esse momento sem resistências. Apresentar subitamente uma série de atividades num único dia pode ser assustador. Introduza um elemento de cada vez e só apresente o seguinte quando estiver satisfeita com a rotina do anterior.
– A ideia de previsibilidade é benéfica para a vida infantil em todos os aspectos. Esse é um modo de criar tranquilidade e harmonia no ambiente familiar. Além disso, essa é a fase de ouro para se desenvolver bons hábitos que acompanharão a pessoa pelo resto da vida.
– Para iniciar uma rotina de atividades é interessante criar pequenos rituais para o momento dos estudos. Assim, a criança fica ansiosa para mostrar que já sabe o que é esperado dela e participa de tudo com alegria. Quando quero envolver a atenção da criança em algo novo e encontro dificuldade costumo criar uma música associada aquele momento ou uma sequência divertida de gestos. Por exemplo, quando está na hora das atividades começamos com uma música sobre trem, fazemos uma fila e vamos andando até os nossos materiais. Com isso, as crianças já correm para “entrar no trem”.
– É sempre bom dramatizar nos gestos e na voz para chamar atenção para si. Isso é ainda mais eficaz durante as leituras em voz alta.
– Se o seu filho não para quieto e não se atraí pelo que você propõe,comece apresentando atividades  pelas quais ele se interesse. Logo ele irá se acostumar com a ideia de fazer trabalhos dirigidos e irá aceitar o que você propuser. Minha filha nessa idade começou a prestar atenção no que eu ensinava porque amava lidar com tinta, a irmã por sua vez era mais atraída por tesouras. Caso isso demore, tenha paciência, proponha outra coisa, seu filho pode ainda não estar maduro.
– É sempre bom lembrar que crianças que passam muito tempo diante de telas (computador, televisão, tablets e afins) tendem a se concentrarem muito menos nas atividades. Na vida real nada tem o ritmo das tecnologias. Em geral, a criança acostumada com o tempo da ação virtual se entedia facilmente e não acha atrativo ouvir histórias, desenhar, brincar no quintal. Quanto menor a quantidade de tempo diante da televisão melhor e maior será a chance de ela se interessar pelo que for proposto. Vale lembrar que existem diferentes temperamentos de crianças. Algumas crianças precisam de mais movimento do que outras. É bom respeitar as inclinações naturais de cada personalidade, mas cuidando para não extremar as tendências naturais. É bom para uma criança com tendência à inatividade que se estimule a atividade física, mas é bom deixá-la livre para executar tarefas mais pacatas e que tenha tempos de ócio – que não precisam ser na frente da televisão; É bom para uma criança com tendência ao movimento que se faça atividades que exijam repouso e concentração intelectual exclusiva. Mas é bom deixá-la livre para correr e pular muito.
– Um modo importante de manter a criança focada no que está fazendo é assegurar que no ambiente onde se estuda ou executa atividades não se tenha muitos estímulos. Caso haja brinquedos, objetos muito coloridos, sons dispersantes no espaço onde ela deve fazer suas atividades, ela facilmente  poderá se distrair. Por isso a preparação do ambiente também é importante.
– Quando seu filho não para quieto reflita se ele esta gastando suficientemente sua energia física. Criança precisa testar o próprio corpo, aprender a usá-lo, ou seja, precisa se movimentar. Para melhorar a concentração é interessante desenvolver alguma atividade física antes da atividade intelectual. Depois de atividade física – correr um bom número de voltas, imitar animais, pular- a criança estará mais apta a se concentrar numa atividade mental. Outro bom recurso é propor atividades que aliem as duas coisas.
– Atenção, crianças pequenas não precisam de muito estímulo artificial.Deixar a criança explorar e desenvolver autonomia já é um bom estímulo global para a criança. Além disso, muitas mães pensam que é necessário entreter seus filhos todo o tempo. Isso gera uma dependência no filho, que passa a querer ser entretido e a ter dificuldade em suportar a solidão saudável. Eles precisam aprender sozinhos a encontrar o que fazer. Até mesmo quando alegam estarem se sentido entediados é bom, porque precisam administrar também esse sentimento.
– Tempo em playgrounds e parques nunca é tempo desperdiçado e sempre é tempo de aprendizado! Transferir areia de um balde para outro é uma brincadeira, mas é também uma atividade valiosa para os pequenos. Áreas ao ar livre estimulam o desenvolvimento de inúmeras competências físicas e favorecem a socialização com outras crianças.
– Envolva seu filho nas suas atividades da casa. Contribuir desde cedo com as atividades domésticas é ótimo para a criança em todos os aspectos. Atividades simples do dia-a-dia e proporcionais ao tamanho e a força da criança são extremamente educativas. Lavar uma colherinha, separar roupas em pilhas de categorias diferentes, estender um lençol, dobrar uma toalhinha, guardar os objetos no lugar certo são todas tarefas extremamente educativas não apenas porque ensinam a lidar com a vida prática, mas também porque desenvolvem o raciocínio e a coordenação.
– Leve consigo seu filho para suas atividades fora de casa. Isso demanda um tempo de treinamento com a criança para que ela possa aprender o comportamento adequado, mas colabora para um aprendizado muito rico sobre o mundo que o cerca, sobre a convivência entre os adultos e sobre a sociedade. Não deixe de fazer isso por receio de incomodar terceiros, educar seus filhos é mais importante do que a opinião alheia. Depois de acostumados eles certamente vão encantar os observadores devido ao bom comportamento.
– Em famílias numerosas a criança pequena entra na rotina dos mais velhos de modo orgânico e sem esforço. Por isso, começar atividades com o primeiro filho pode ser mais difícil do que com os demais. Muitas mães são impelidas a achar que seus filhos ficarão pouco estimulados em casa e que a presença de outras crianças assegura o bom desenvolvimento. Note-se, porém, que em um grupo homogêneo de crianças da mesma idade aquelas que tem irmãos são mais estimuladas do que as demais, ou seja, a socialização familiar supera a escolar e a escola não supre essa riqueza. O melhor estímulo e o melhor parceiro de atividades certamente é um irmão.

Leitura: alimento para o imaginário

Nesse segundo semestre nossa jornada pelo universo da cultura está voltada principalmente para o enriquecimento do imaginário. Estamos focadas em nossa leituras. Sempre trazemos belas histórias, belas vidas, contos de fadas. Agora, com duas leitoras competentes, essa tarefa pode ser ampliada e facilitada. Todos os dias todos leem.
Vivemos num ambiente social no qual as pessoas têm uma imaginação muito pobre. As vidas possíveis, os valores, as virtudes e tudo o que há de beleza moral é relativizado ou tido como algo distante e fora de moda.
Lamentavelmente essa beleza está sendo substituída por histórias tolas. No mundo infantil os efeitos disso se somam aos do excesso de exposição às tecnologias e geram uma hiperestimulação que contribui para a deformação da imaginação – ou pelo menos para a poluição dela – e para uma saturação dos sentidos.
Para muitas crianças o belo e o grotesco não se distinguem mais. São apenas novas imagens num triste indiferentismo diante do que se vê e do que se ouve. São tantas imagens, sons, e tanta feiura estética e moral que se perde a sensibilidade para a beleza e para a contemplação.
Na contramão dessa triste tendência é possível experimentar um efeito interessantíssimo que as belas histórias têm sobre as crianças. Lemos alguns livros da condessa de Segúr e aos poucos as crianças foram aprendendo a ficar em silêncio e prestar atenção. Agora já vibram com as virtudes e se indignam diante da maldade. Histórias toscas e mal elaboradas – o mundo do Bob esponja – já não as atraem.
Nossa fórmula é: leitura, leitura e mais leitura. Quando limitamos o tempo que as crianças passam na frente de uma tela para poucas horas restritas ao final de semana, nossas crianças ficaram mais interessadas na fantasia e na imaginação e consequentemente centrada na audição e na leitura de histórias.
Isso vai criando um alicerce de poesia e beleza onde se poderá mais tarde construir camadas mais sofisticadas de discurso.