Haja paciência para tanta autonomia.

Não é no mundo das ideias que nossos valores se fazem valer, é bem aqui nas vicissitudes da vida, no meio do barro de que somos feitos.
Liguei para o meu marido e pedi para ele mandar as crianças se prepararem para a natação. Havia o tempo justo para eu chegar em casa e sair. Ele respondeu que eles já tinham se preparado. Oba! Ponto para a mãe que explicou passo a passo como deviam preparar as mochilas e ainda combinei com as mais velhas de ajudarem as mais novas caso elas precisassem. Cheguei afobada no portão correndo no meu passo de pinguim gestante e chamei todo mundo para o carro. Daí percebi que o Capitão Caverna, meu marido, vestiu o Caverninha com o casaco pequeno e que ele tinha batom no olho?! (não fiz nenhum comentário, só agradecimentos, porque toda ajuda do Capitão caverna é valiosa). O Minhoco vestia uma meia azul e uma cinza, e estava sem tênis!? Cachinhos vinha com o casaco sujo que ninguém conseguiu fazer ela desistir de usar. Caramelo escolheu uma calça rasgada (que recuperou do lixo onde coloquei a semana passada). Rosa estava com minha bota sem pedir autorização, e minha adolescente com unhas postiças estilo Elvira a rainha das trevas. Diante dessa lista eis as opções que me restam:
1. Enlouquecer tentando arrumar todos com cuidado e perder a hora.
2. Fazer qualquer coisa que não seja a opção 1.
Quando se luta para não gritar aprendi que a opção 1 é sempre perigosa. Mas não resisti e perguntei “todo mundo pegou toca, óculos, toalha, maiô?” É claro que saímos com 10 minutos de atraso. Tenho o coração cheio de ideias sobre educação e o propósito, por exemplo, de educar meus filhos para a autonomia e para a ordem. Mas ensinar aos filhos autonomia e a ordem é um exercício de paciência e constância para a mãe. É mais fácil e mais bonito quando eu faço tudo por eles, ninguém chega sujo, rasgado ou com batom no olho. Mas acredito que fazer tudo por eles é um desserviço. Não gosto quando as coisas ficam aquém do que poderiam, mas tudo fica mais simples quando há alegria e bom humor.
Mais importante do que ensinar a ter sucesso é ensinar a amar.

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