Autoridade e adolescência?

À medida que os filhos crescem a autoridade dos pais vai dependendo cada vez mais de uma relação de confiança até que chega o dia em que eles se tornam senhores de si e nossas orientações se tornam meros conselhos. Todos os segundos vividos ao lado deles é uma preparação para isso, pois não educamos filhos para serem filhos, os educamos para serem um dia adultos. Mas antes desse momento chegar passamos pela adolescência. Se por um lado toda mãe de filho pequeno já foi prevenida (algumas vezes até em tom de maldição) “você vai ver quando chegar na adolescência!”, por outro lado, toda mãe de adolescente vai transmitindo ao filho o controle da própria vida (com mais ou menos drama) depois de ter governado tudo naquela vidinha que amou e serviu por anos. É notório que isso desconcerta e assusta a mãe, mas a adolescência não é um bicho papão, ou pelo menos, não precisa ser. Essa moça na foto é a Maria, minha primogênita. Então, quer ela queira, quer não, Maria é o exemplo para todos os meus filhos mais novos; e, quer eu queira, quer não, é ela que a que recebeu mais exigência, mais inexperiência materna. Agora que Maria é teen sinto que dei tudo por ela e sinto que não dei o suficiente. Parece que foi ontem que Maria ficava de braços esticados pedindo colo, com aquele cheirinho de bebê pela casa. Aprendi a ser mãe e aprendi a me relacionar com aquela pessoinha de 2,3 ou 4 anos. A pessoinha é a mesma, mas estou de novo aprendendo a me relacionar com ela. Meu bebezinho se foi e agora tenho uma menina que num dia se fecha meditativa e no outro quer me contar tudo. Mas não somos amiguinhas, ser mãe nunca é ser amiguinha dos filhos. Se colocar no mesmo nível deles é um teatro que só confunde e complica. Mesmo que a gente viva bem a autoridade na infância, com firmeza e amor, o adolescente não se limita a aceitar mecanicamente o que lhes dizemos. Eles precisam confrontar ideias para assumir como próprio ou para rejeitar o que lhe é dito. Isso não significa que colocam em xeque a nossa autoridade, antes estão pedindo para compreender melhor a verdade que fundamenta nossas palavras. Não quero ser amiguinha de minha filha, mas me esforço por harmonizar a autoridade com o cultivo da verdadeira amizade, que para Santo Agostinho é amar as mesmas coisas e rejeitar as mesmas coisas: idem velle, et idem nolle.

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