O Galinho fiel

Nossa chácara foi palco de uma comovente história de amor. Comprei um galo e duas galinhas assim que fomos morar lá. No trajeto de carro um saco de ração caiu em cima de uma das galinhas, sobrando assim apenas o casal. Eu fui apenas testemunha dessa história, nunca gostei de galinha, não tive nem coragem de tocar nos bichos. O galo e a galinha se tornaram a alegria das crianças, fugiam do galinheiro mequetrefe e se empoleiravam nos andaimes de nossa construção para dormir em um cenário mais romantico, passeavam livremente por todos os lados sempre juntos e enamorados. Aos poucos meu pavor de galinhas foi dando lugar a uma curiosidade, achava engraçado aqueles dois sempre juntinhos, achava bonito o modo como ela corria na direção dele. O canto do galo dava um alegria para a casa, e de repente eu já estava filmando as traquinagens do bicho e enviando para o meu marido. Um dia o galo veio passear solitário. A galinha tinha sentado para chocar mais de uma dúzia de ovos. Com a chegada de tantos pintinhos a família lindinha se tornou meu xodó. Mas essa história não teve um final feliz. Uma jaguatirica invadiu a casa deles e devorou as criaturinhas. Sobreviveu apenas o galo que andou solitário e triste por uns tempos. Trouxemos outras galinhas para viver com ele, que para minha surpresa foram rejeitadas. O galo não queria uma galinha, queria a galinha dele. Afugentava e brigava com todas. Era um galo fiel. Tanto aprontou que foi pra panela. Mas a saga da família Galinácea ficará marcada na história da família Martins.

*não cozinhei o galo. Não tenho habilidade nenhuma para vida rural. Foi nosso caseiro.

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