A maturidade na maternidade

Maternidade, para quem vive com os olhos no transcendente, é um caminho de santidade. Livremente acolhemos outra vida em nossos corpos, e provamos a dor e a realização por ter em nossas entranhas um milagre. Depois, livremente gastando nossos dias nutrindo e amando uma pessoa que é um pouco parte do que somos, e, na contra partida, é integralmente outra pessoa. Vivemos com naturalidade em nossos dias obras que podemos realizar com os olhos na eternidade. Mães de filhos pequenos diariamente vestem os nus, dão comida a quem tem fome, dão de beber a quem tem sede, dão conselho, cuidamos dos enfermos com todo o coração, ensinamos os ignorantes, corrigimos os que erram, consolamos os tristes. São obras de misericórdia preciosas que não podemos desperdiçar. E Nosso Senhor diz que “TUDO QUE FIZESTES A UM DESSES PEQUENINOS, É A MIM (JESUS) QUE FIZESTES”. Não são poucas as oportunidades que nossos filhos nos dão para servir Nosso Senhor. É uma delicadeza de Nosso Pai podermos amá-Lo nos filhos que já somos inclinados a amar naturalmente. Maternidade é também um caminho de maturidade. Algumas vezes estamos enfraquecidas, aborrecidas, frágeis, mas o bebê, que, por óbvio não entende de nossos anseios, chora a noite toda. Reclamar? Não somos afinal responsáveis por nossos padecimentos ao ter escolhido ter um filho? Quem mandou ter filho? Filhos são monstros devoradores de sonho… Dirão as childfree. É claro que o filho é muitíssimo mais do que um sofrimento passageiro de uma noite sem dormir. A alegria e a felicidade perene que encontramos na existência de uma pessoa, uma companheira para eternidade,é incompreensível pelas lentes com que enxerga o mundo quem não compreende que amor é dor as vezes. Daí você percebe que de fato não precisa reclamar, fazem parte da vida natural essas contrariedades, não ter filhos para não se gastar no trabalho que dão é se manter a uma distância prudente da felicidade de quem está desprendido de si mesmo. Isso é incompreensível ao egoísta. Se você passa por isso um bom número de vezes, o ímpeto de reclamar acaba diminuindo. Afinal, você saberá que as contrariedades passarão, que são coisas da vida, que escolhas de altruistas são incompreensíveis para o senso comum. Saberá que há um tesouro nessas contrariedades que te trarão a alegria do dever cumprido. Quem busca desesperadamente o conforto e alegria não tem resistência para a frustração e se fere com intensidade por banalidades. A vida é composta por alegria e dor e isso está completamente fora de nosso controle. Nossa liberdade está em sofrer com dignidade, em dar sentido transcendente para o que nos acontece, em ter paciência quando tudo está amargo, sabendo que nossos sentimentos mudarão e poderemos nos alegrar diante das mais simples e cotidianas bobeirinhas, ou chorar em circunstâncias exteriormente perfeitas. Para amadurecer é preciso aceitar a vida e o que ela tem para nós com um coração grato e disposto a trabalhar no cenário que vier. Filhos proporcionam lições que muitas vezes doem, mas que fazem de nós pessoas melhores.