Meu filho não gosta de estudar. E agora?

Muitas mães me perguntam como ensinar os filhos a gostarem de estudar. Essa nem sempre é uma tarefa fácil e não há um segredo certeiro para o sucesso.

Algumas crianças gostam, outras nem tanto. Eu procuro trazer atividades divertidas para fazermos juntas. Eu gosto de atividades nas quais precisamos pôr a mão na massa, gosto de encontrar músicas e poesias relacionadas aos temas que estudamos, não resisto a passeios pedagógicos, e sou apaixonada por livros lindos. Mas nem sempre os nossos dias de estudo são vivos e cheios de aventuras. Em alguns momentos estudar é simplesmente chato. A ideia de que o ensino precisa ser uma atividade prazeirosa é enganosa. Nem sempre o estudo será agradável. Longas divisões, atividades repetitivas, refazer uma tarefa quando não atingiu o objetivo, podem ser situações muito frustrantes. Aceitar o chato, o tédio, o difícil é fundamental para o amadurecimento da criança. O trabalho intelectual exigente não pode ser inimigo. Quando ajudamos nossos filhos a suportarem essas contrariedades eles se tornam mais fortes. E a satisfação de cumprir o dever e de vencer o desafio farão parte do repertório de vida deles. Precisamos ter em mente que nosso papel é educar para que encontrem satisfação também em coisas que não são divertidas. Uma criança que não gosta de estudar, mas que estuda mesmo assim, pode aprender a gostar. E certamente terá aprendido o domínio de si para fazer algo sem sentir prazer. Isso é libertador. É uma necessidade na vida adulta e uma ferramenta fundamental em todos os âmbitos da vida.

É claro que o estudo não pode ser uma tarefa odiosa. Precisamos estar atentos ao nível de dificuldade e ao método. Quando a criança detesta estudar precisamos prestar atenção no nível de dificuldade. É necessário encontrar um equilíbrio. Se as atividades são muito fáceis, pode ser entediante, se é muito difícil é desmotivador. Pais atentos percebem quando o método não está sendo eficaz. E mudar o caminho é uma aposta interessante. Existem livros e abordagens que funcionam muito bem para algumas pessoas e para outras não.
Além disso, nossa postura afeta a percepção deles. Eles procuram em nosso comportamento os referenciais para o próprio comportamento. Precisamos também gostar de estudar. Em nossas famílias e em nosso convívio social as conversas precisam ir além de trivialidades e fofocas. Um ambiente onde eles possam respirar ideias nobres para ruminar interiormente é alimento para o intelecto. Ouvir sobre o que nós estamos lendo faz com que o universo dos livros faça parte do modelo de vida adulta e naturalmente eles se inclinarão para eles. Não podemos dar aquilo que não temos. Vamos com otimismo alimentar nossa convivência com cultura e contar muitas histórias sobre vidas de pessoas grandiosas que produziram esse conhecimento que estamos transmitindo e eles terão fome de histórias. Essas são lembranças que marcam o coração deles. Partilhar cultura se torna especial porque eles têm um carinho espontâneo pelo que fazemos alegremente juntos.
Além disso, tenha paciência. Minhas primeiras filhas sempre gostaram de fazer atividades escolares, as mais novas demoraram um pouco mais para criar o gosto. Com um trabalho constante de leitura, a despeito de não demonstrarem interesse, minhas filhas mais novas se apaixonaram pela leitura. Mas veremos ainda os desafios que os meninos me trarão.

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