Minha experiência com “delayed academics”

Quem observa nossas fotos de atividades pode ter a impressão de que cobrimos todas as frentes com todas as crianças. Mas na prática não é essa nossa realidade, nem é esse o objetivo.

Conforme fui avançando em meus estudos sobre educação descobri que muito se discute sobre “delayed academics”. Mas o que seria isso? É intencionalmente atrasar os estudos academicos sistematizados ou iniciar mais tarde do que se costuma fazer. Existem linhas pedagógicas e guias de Homeschooling que sustentam que academics devem ser “antes tarde do que cedo”.

Observa-se que a criança mais madura tem mais condições de fazer abstrações e compreende com facilidade conteúdos que podem ser custosos para uma criança novinha. Quando apresentamos uma tarefa muito difícil, o efeito que causamos em nossos filhos é de insegura e frustração. Já quando a criança fica além das expectativas, ela ganha ânimo para avançar. Nesse sentido, deixar algumas frentes para mais tarde pode ser muito proveitoso. Pois ela achará a tarefa simples e acabará evoluindo até o ponto de sua idade escolar rapidamente. Nessa linha, existem relatos de que as crianças não ficaram atrasadas por terem deixado conteúdos pendentes. Por exemplo, se aos 10 anos ela se deparar com um conteúdo próprio para uma criança de 8 anos, certamente achará tudo muito simples e avançará com confiança até o ponto em que encontrar dificuldade. Geralmente esse nível é equivalente ao da série que a criança estaria se tivesse sido mais exigida nas séries iniciais. Ou seja, uma luta exaustiva com uma criança imatura é desnecessária ou até mesmo prejudicial se fizer com que ela perca o desejo de estudar. Não convém abalar o amor ao conhecimento.

Diante desses argumentos fiquei muitas vezes me perguntado se tal abordagem era compatível com meus ideais educativos e se eu teria coragem de apostar nesse testemunho. Pois excelência educacional é um dos meus sonhos como mãe. Mas com o tempo aprendi a me desapegar dos resultados e focar em olhar meus filhos como um todo. Isso me fez algumas vezes perceber que quando o assunto é educação a lógica geralmente deve ser “devagar que tenho pressa”. Precisamos saber desacelerar quando sentimos que estamos indo por um caminho sofrível. Oferecemos a educação em que acreditamos, mas nossa meta é que floresçam conforme seus talentos e em seu ritmo.

Meu objetivo principal nas séries iniciais é a fluência da leitura e proficiência em matemática. Somado a isso, faço longas listas de livros de literatura, história, geografia, artes, ciências, experiências, passeios, viagens, esportes, aulas de piano, de balé, parquinho, tarefas domésticas, e muito tempo para aproveitar a infância, pois brincar é o trabalho da criança e é uma prioridade por aqui. Então como é possível fazer tanta atividade escolar? A resposta sincera é: Muita coisa acaba ficando de fora. E é por isso que acabei experimentando o delayed academics. Depois de não cumprir o planejamento de ciências do livro The Well trained mind por 5 anos consecutivos experimentei entregar para minha filha de 8 anos um livro didático de ciências de primeiro ano. Ela fez tudo sozinha, rápido, achou fácil, absorveu completamente. Conclusão? O mais importante no ensino fundamental é formar leitores competentes. Mesmo quando se escolhe alfabetizar mais tarde, não há prejuízo em ir com calma. A infância acaba rapidamente e sempre há tempo para aprender.

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