Dicas para organizar a rotina infantil – parte 4

Dentro de uma rotina homeschooler os hábitos básicos -sono, higiene, alimentação e ordem- são uma escola de amor ao próximo, de cidadania, e de habilidades que exigem o desenvolvimento de competências intelectuais, físicas e sociais.  Organizando com intencionalidade educativa esses aspectos da vida familiar a rotina fica simplificada e assegura-se um panorama muito rico para o desenvolvimento da criança na primeira infância.

Alimentação e rotina

Uma rotina harmônica demanda uma boa alimentação. Para conseguir que a criança durma bem é importante que a alimentação tenha sido adequada para suas necessidades físicas e que assim não cause desconfortos que atrapalhem a rotina e a qualidade do sono.

A alimentação está naturalmente relacionada com a higiene, então ao criar hábitos para uma facilmente se estabelece o lugar da outra dentro da rotina. Por isso, planejamos o momento da refeição associada aos momentos da higiene pessoal.Precisamos nos alimentar diversas vezes por dia, por isso é impossível planejar uma rotina sem contemplar a alimentação, então, é interessante que aproveitemos essa necessidade para educar nossos filhos a mesa.

Planejamento prévio:

Os horários de alimentação devem conter os tempos de preparo das refeições, o tempo de deixar a cozinha em ordem, o tempo da compra dos alimentos. Se planejamos mal esses tempos provavelmente vamos ter crianças rabugentas e choronas pela casa e mães estressadas, portanto é importante planejar antecipadamente.Uma boa medida para otimizar nosso tempo é selecionar cardápios simples de serem produzidos. Com um cardápio semanal fixo podemos comprar os ingredientes antecipadamente e deixar as coisas encaminhadas antes da hora do estresse. Se limparmos os utensílios na medida em que formos cozinhando, ao terminarmos de preparar a refeição encontraremos uma cozinha limpa.

Envolva seus filhos na rotina doméstica

É bom evitar o engano de que nossos filhos nos atrapalham quando fazem pequenos trabalhos domésticos. Certamente eles não fazem as coisas tão bem quanto nós, mas “ajuda de criança é pouca, mas quem dispensa é louca!” Podemos incentivar nossos filhos a tirarem seus pratos da mesa e com isso reduziremos a bagunça e estaremos lançando sementes para que futuramente se transformem em adultos capazes de gerir a própria casa e cuidar de si mesmos quando forem chamados a essa responsabilidade.

Para que participem da rotina doméstica quando forem crescidos precisam aprender a manter a ordem quando pequenos. A infância é a idade de ouro para a aquisição da virtude da ordem. Mais tarde será muito mais difícil. Nossos filhos um dia precisarão cuidar de seus espaços independentemente do estilo de vida que escolham, por isso não nos fazem favor quando devolvem os objetos no lugar em que os encontraram. Fazemos um desserviço a eles quando os poupamos de levar o próprio copo na pia quando terminam de beber.

Nutrição, Temperança e Prudência:

Uma alimentação nutritiva ajuda a prevenir doenças e promove um bem estar generalizado na família. Na hora de escolher o cardápio é bom selecionar receitas tendo em mente que comendo bem estamos ajudando a evitar o desgaste de lidar com as rupturas na rotina causadas pelas doenças.

Podemos procurar opções saborosas, mas não podemos esquecer que a alimentação tem uma função e que se nos limitarmos a atender aos caprichos de nossos filhos podemos perverter essa finalidade e nos tornar cúmplices da causa de inúmeros problemas que uma alimentação inadequada pode acarretar.

Porém não podemos esquecer que comemos para viver e não o contrário. Se por um lado a alimentação é fundamental na rotina, não é bom que criemos uma enfase exagerada na bioquimica de nossa vida a ponto de que isso consuma todo o nosso tempo, recursos e energia e que com isso se crie uma desordem. Não precisamos valorizar exageradamente a animalidade deixando que nossos filhos comam apenas o que gostam, nem podemos cair na mesma desordem tratando a alimentação como um fim e esquecendo que ela é um meio.

Encontramos prazer na alimentação e isso é bom, mas nem sempre isso é saudável. É importante ensinar a temperança e não somente a austeridade. Uma noite da pizza em família é ainda mais saborosa quando foi precedida de vários dias com alimentos menos festivos.

É na mesa que se aprende os fundamentos do auto domínio. Querer mais um bombom e não ganhar é um treinamento para futuramente ter condições interiores de querer mais um bombom e não pegar por vontade própria. Quem exercita esse tipo de domínio de si é livre para comer ou não comer. Assim será capaz de escolher com liberdade os momentos em que é adequando atender aos apetites e os momentos em que não é. Para esses é preciso usar a força de vontade. Haverão dias em que nossos filhos serão senhores de si mesmos e precisarão ser capazes de regular os prazeres. Quem aprendeu na mesa de casa a se conter terá mais facilidade para escolher com liberdade, quem não aprendeu certamente será menos livre.

Etiqueta é uma ética”zinha”:

Quando estamos à mesa em família temos uma oportunidade rica de ensinar nossos filhos a se portarem virtuosamente em sociedade. Podemos ensinar sobre justiça ao convidar nossos filhos a servir uma sobremesa e deixar que os irmãos escolham seus pratos depois de servidos. Podemos ensinar um pouquinho de amor ao próximo estimulando que nossos filhos se sirvam sozinhos e que deixem o melhor pedaço para a próxima pessoa a se servir. Podemos estimular que sentem adequadamente e que comam com bons modos como forma de respeitar as outras pessoas na mesa que não querem ver a comida dentro da boca do irmão.

Alimentação e atividades sensoriais

Envolver nossos filhos no preparo dos alimentos abre oportunidades educativas bastantes ricas. A criança pode participar de todo o processo que cerca a alimentação e assim terá acesso a atividades sensoriais divertidas – cortar alimentos de diversas texturas, tocar em diferentes materiais, manusear diversas ferramentas, sentir o gosto de cada ingrediente nas diversas etapas de cozimento. Além disso, preparar os alimentos é uma forma de ajudar a criança a comer alimentos que não está acostumada, pois quando ela cozinha ela se abre para experimentar aquilo que preparou.

Alimentação e cidadania

Fazer parte do preparo das refeições nos ajuda a ensinar:

  1. que os alimentos não aparecem magicamente na nossa mesa.
  2. que o trabalho de outras pessoas impacta a minha subsistência.
  3. a perceber a interdependência dentro da comunidade;
  4. nossos filhos a servir a coletividade produzindo algo para os outros;
  5. a fundamentar a autoestima da criança na capacidade real de realizar pequenas ações como lavar legumes, separar feijões.

Meu filho não come, e agora?

Se meu filho não come devo me perguntar se esse não é um subterfúgio para chamar minha atenção. Estou dando toda a atenção que ele carece?É interessante que ações inadequadas não sejam muito valorizadas nem positiva, nem negativamente para que a criança não encontre vantagem no mal comportamento à mesa.Se meu filho não come e eu fico com pena dele e consinto que ele ganhe lanchinhos entre as refeições, estou claramente premiando o mau comportamento. É preciso que se tenha regras claras e consequências lógicas para cada tipo de atitude. Castigos? Não são necessários quando a criança entende que para cada ação existe uma consequência. Quem não come fica com fome. A próxima refeição provavelmente acontecerá em pouca horas.Não é preciso desgastar a autoridade numa queda de braço infinita com meu filho na hora da refeição. Ofereça os alimentos rejeitados varias vezes em diferentes situações e o anime a experimentar um pouquinho.Preste atenção na sua postura e na dos demais familiares diante do alimento que está sendo oferecido. Se a mãe detesta salada e faz uma cara ruim como quem já espera que a criança não vá gostar, então não se admire de que seu filho cumpra com a expectativa e não goste. Crianças aprendem por imitação.

Aprender a ser contrariado

É natural que a criança não goste de tudo que experimente. Todos somos mais inclinados a alguns alimentos do que a outros. Porém é importante aprender a se adequar a situação e a não ter a expectativa de que tudo seja sempre focado no interesse egocêntrico. Por isso não é bom que façamos sempre cardápios visando o que a criança gosta. A vida real é cheia de coisas que não gostamos e por isso é muito bom aprender a aceitar que nem tudo me agradará e que preciso aceitar o que não gosto também. Quem aprende isso na mesa de casa e emprega essa lógica em suas relações adultas tem chances de ser um profissional mais fácil de lidar e que consequentemente terá uma chance a mais de se destacar profissionalmente, um conjugue mais fácil de conviver e que terá menos problemas de se adaptar aos desafios da vida familiar.

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