O que ensinar nos primeiros anos de vida segundo o método de Charlotte Mason?

Para Charlotte Mason nos primeiros anos devemos estabelecer as bases da educação, por isso enfatizou três áreas nas quais os pais devem se concentrar: bons hábitos, brincadeiras ao ar livre, e leitura. Deve-se destinar todos os dias tempo para ler em conjunto bons livros – incluindo a Bíblia. Fazendo isso, relaxe. Pois, assim você estará ofertando a melhor educação possível. O desenvolvimento acadêmico pode esperar; bons hábitos e valores não podem. Ela acreditava que o dever de um pai nessa fase é alimentar uma criança diariamente com amor e nobres idéias.

Charlotte Mason se baseia na ideia de que temos de educar um ser humano integralmente e não apenas sua mente. Para tanto, o método se baseia em três pontos fundamentais: educação é uma atmosfera, uma disciplina, uma vida.

Por “atmosfera” entende-se o ambiente da criança ao longo de seu crescimento, pois a criança absorve conforme assiste e ouve o seu entorno. As ideias que regem a sua vida como um pai passarão para seu filho se forem efetivamente aplicadas em seu modo de viver. Nossos filhos estão nos observando todos os dias e isso é uma das principais fontes de seu aprendizado.Portanto, precisamos nos perguntar: ” Que idéias verdadeiramente governam a minha vida? ” O seu filho está aprendendo que a raiva é a maneira de responder a conflitos, ou ele está absorvendo uma atmosfera de pacificação? Ele está sendo educado na “arte” de preocupação e ansiedade, ou ele está aprendendo a confiar no Senhor, mesmo nas pequenas coisas da vida?

Por “disciplina” entende-se que os hábitos cultivados na infância representam um terço dos elementos estruturantes da formação da criança. Ensinar a criança a concentrar-se atentamente nas atividades praticadas e buscar sempre uma execução perfeita é um dos princípios fundamentais nesse trabalho. Os bons hábitos advêm da repetição de uma determinada ação e deles muitas virtudes advirão.

Por “vida” Charlotte se refere aos conhecimentos acadêmicos que devem ser apresentados como pensamentos vivos.

Os livros selecionados são chamados de Livros Vivos, que são aqueles escritos por autores apaixonados pelo tópico e que por isso são capazes de tornar o conteúdo vivaz.

Ela estimula que se apresente as obras de grandes artistas e compositores para as crianças e que se permita que elas passem tempo apreciando e conhecendo pessoalmente seus trabalhos.

Não é de admirar que muitos homeschoolers adotam essa forma de educar pois é muito rica, compatível com o ambiente doméstico e nela se descortina para a criança o amor pelo aprendizado em si mesmo.


Charlotte Mason nos primeiros anos:

1-Brincar livremente:

Dê ao seu filho tempo de sobra para brincar livremente. Permita que ele se exercite ao ar livre e gaste muita energia e que se aproxime das maravilhas da criação de Deus no mundo que nos circunda.

2- Bons hábitos:
Os três principais hábitos que Charlotte recomenda que se trabalhem são:
– Completa atenção,
– Obediência pronta,
– Veracidade.
Esses são fundamentais que se estabeleçam durante os anos pré-escolares.

3- Leia:
Faça leituras em voz alta para o seu filho todos os dias. Lembre-se que você está cultivando o gosto dele a partir dos livros que selecionar, por isso não se contente com história tolas, aquelas que assumem que o seu filho não pode entender frases bem elaboradas, dê ao seu filho uma boa história, interessante e com grandes ilustrações. Além disso, não deixe de apresentar a Bíblia.

É preciso escolarizar antes dos 4 anos?

Diz-se por aí que as crianças precisam ser precocemente estimuladas e isso está alarmando indevidamente as famílias. Não basta a criança ser estimulada, precisa ser muito estimulada. Não basta ser muito estimulada, precisa ser profissionalmente estimulada. Em função disso, muitas mães têm enormes receios de ficar com seus bebês em casa. Assediam-se os pais com a ideia de que bem antes da idade pré-escolar seus filhos podem estar perdendo alguma coisa e que ficarão atrasados se não forem para a escola precocemente.

Porém, essa mentalidade esbarra em um dado paradoxal: as crianças modernas que frequentam instituições profissionais de estímulos não conseguem se equiparar  em desenvolvimento motor,  autonomia e capacidade de concentração, às crianças de antigamente que brincavam livremente no quintal. Dado que essas competências são fundamentais para o aprendizado das disciplinas escolares pode-se concluir que a estimulação profissional não é necessariamente superior ao aprendizado natural que se tem em casa. Isso evidencia que não é necessário fazer um elaborado plano pedagógico para se ficar com bebês. 


Minha experiência como mãe e como educadora é a seguinte: criança pequena não precisa de instrução formal! O melhor que podemos fazer por nossos filhos nos primeiros anos de vida é permitir que descubram o mundo organicamente, pois os frutos da estimulação precoce são muitas vezes excessivos e potencialmente prejudiciais: tédio e estresse por não darem conta de acomodar os excessos de estímulo a que são expostos.


Os conteúdos acadêmicos não são o centro da educação de meus filhos até os 4 anos, pois nessa etapa aprender é brincar. Não são necessárias atividades dirigidas ou trabalhosas, é na simplicidade amorosa de um ambiente convidativo e tranquilo que o amor pelo conhecimento é alimentado. Nos primeiros anos escutamos contos de fadas e histórias sobre pessoas virtuosas, aprendemos a respeitar os outros e a conviver em um ambiente mantendo a ordem e seguindo as regras, exploramos o mundo que nos cerca e a natureza, conhecemos e experimentamos as arte. Desta forma nossos filhos estão descobrindo as capacidades e limites  do próprio corpo e dos sentimentos, e, assim, vão desabrochando em um ritmo orgânico para as descobertas intelectuais.


A melhor escola de estimulação motora se chama parque ou quintal, a melhor escola de socialização se chama interação de qualidade com pais, irmãos e com as outras pessoas de todas as idades com que eles se deparam no cotidiano; brinquedos bons são potinhos da cozinha, pedrinhas, toquinhos de madeira; aprender a amarrar os próprios calçados e a vestir as próprias bonecas é o melhor trabalho de coordenação motora; ouvir música clássica enquanto a mãe cozinha é melhor do que aulas barulhentas com infinitos recursos, que somente são necessários para que o grupo se mantenha atento, mas que por excesso de estimulo reduzem  a atenção; pode ser ensinado mais inglês usando palavras e expressões no dia a dia do que em cursos caros.


Uma criança segura e amada em casa desabrocha naturalmente. Programas de estímulo são ótimos, mas não são uma necessidade. Existem para que quem não tem com quem brincar não fique abandonado na frente da televisão, ou para que algumas mães assoberbadas de tarefas tenham um horário na agenda para ter tempo de qualidade com o filho. Não precisamos ceder a pressão social que quer inventar necessidades para as crianças.

A melhor coisa para uma criança é a família. Entre investir em cursos, brinquedos e programas, ou investir em ter um irmão, o irmão é uma alternativa muito mais rica para o desenvolvimento humano integral.

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Pais educadores para a superação do “jeitinho brasileiro” na educação

Todos lamentamos o estado em que se encontra a Educação no Brasil. Quando avaliamos as instituições – principalmente aquelas relacionadas ao ensino – nos deparamos com o fracasso por todos os lados. Porém, algumas vezes quando é lançado o tema “homeschooling” na discussão vemos aflorar no interlocutor o que costumo chamar de “o complexo de malandrão” do brasileiro. Percebo que embora as pessoas digam que nossas instituições são ruins, na realidade elas acreditam no teatro que é o sistema de educação, e pensam que conseguiram de alguma forma sobreviver à escola sem ter aprendido nada, ou aprendido muito pouco, por pura malandragem. Dessa forma, não creditamos nossas vitórias pessoais aos nossos esforços, mas a um dos nossos mais graves defeitos como sociedade: a malandragem.
Concordar que o jeitinho brasileiro não é algo de que se deva orgulhar parece ser incompatível com o espírito nacional. É preciso que se aceite que não somos particularmente espertos por termos conseguido burlar o sistema de ensino e sobreviver a escola sem estudar, mas que o sistema de ensino brasileiro é um fracasso e a regra é passar por ele sem aprender.
Fico perplexa quando um adulto com formação superior me procura argumentando que não aprendeu matérias significativas na escola e que por isso se sentiria incapaz de ensinar aos filhos. Se a escola não foi capaz de ensinar para você, por que acredita que seria capaz de ensinar ao seu filho? Se o conteúdo é pensado para uma criança pequena, por que uma mãe ou pai adulto não conseguiriam aprender? Calma meus amigos, não estamos ensinando mecânica aeronáutica ou neurocirurgia, estamos ensinando o bê-a-bá e os rudimentos da matemática.
Enquanto não assumirmos que não somos espertos, mas sim vítimas de um sistema que apresenta problemas estruturais gravíssimos, não conseguiremos mudar nem os problemas de nossas instituições, nem vencer verdadeiramente nossas limitações particulares. Você não foi “o rei da malandragem” que enganou todos os professores. Foi apenas mais uma pessoa formatada num esquema de enganações no qual ninguém aprende a cumprir com diligência o seu papel, mas aprende a se adequar ao teatro que são nossas instituições. O sistema de ensino é uma fábrica de pessoas levemente torcidas moralmente que na vida adulta quando tem sorte precisam sofrer para perder o mau hábito e finalmente começar a fazer objetivamente algo produtivo sem tentar enganar ninguém.
O Homeschooling não é compatível com malandragem. Aqui só encerramos o assunto quando foi completamente aprendido. A experiência dos outros países com o método confirma que é perfeitamente possível e acessível a qualquer um aprender os conteúdos que todos deveríamos ter aprendido na escola. É perfeitamente possível ensinar nossos filhos a estudarem sozinhos. Se você não sabe algo, há uma solução simples: aprender. Há ainda alguns casos em que algum assunto em especial é particularmente difícil para um pai ou para uma mãe. Para isso sempre há a possibilidade de se buscar um professor.

Pesquisas evidenciam os efeitos da socialização no homeschooling!!!

Como é possível que em uma sala de aula com alunos de uma mesma idade, mesmo bairro, mesma classe social a criança vá se deparar com mais diversidade do que frequentando a pluralidade de espaços sociais, com diferentes tipos de pessoas, em diferentes idades, em diferentes contextos, desempenhando diferentes funções?
Em entrevista à Gazeta do Povo uma psicologa se posicionou cem por cento contra o Homeschooling alegando que na escola a criança aprenderia a lidar com diferenças de estilo, cultura e comunidade. Essa é a crítica que o modelo de ensino têm enfrentado no Brasil e que precisa urgentemente ser enfrentada. Para combater os preconceitos dos que nunca pesquisaram o assunto com seriedade, mas já se posicionaram instantaneamente contra, se faz necessário trazer a luz os fatos: existem estudos sobre a socialização dos homeschoolers que comprovam que essas opiniões dos críticos não são fundamentadas. Tanto o estudo intitulado “Homeschooling Grow Up”, quanto o “|Fifteen years later” apontam que quando comparados com o restante da população da mesma idade e que frequentou a escola as crianças educadas em casa se tornaram mais socialmente engajadas, tiveram rendimentos melhores, se declararam mais felizes, estão sendo bem sucedidas em todas as esferas e acreditam que a educação domiciliar os preparou para a vida.
Leia aqui o artigo de Michael Smith, presidente da Home School Legal Defense Association (HSLDA), expondo mais sobre esses dados.
Leia aqui sobre o porquê de a socialização no homeschooling ser melhor do que a na escola.