Homeschooling, por onde começar?

Algumas mães de crianças pequenas me perguntam por onde começar o homeschooling. Entendo que quando me questionam estão interessadas em como conduzir um processo acadêmico ou como conciliar a rotina doméstica com a presença constante de crianças. Uma vez que as escolas em nosso país não dão conta de proporcionar uma educação suficientemente boa, a maior parte dos simpatizantes com a educação domiciliar estão preocupados com o desenvolvimento acadêmico dos filhos. Entendo que ter a meta da excelência acadêmica é algo muito genérico em um mundo de tantas propostas pedagógicas e tantos rumos por onde se conduzir os estudos, então para se chegar em algum lugar é preciso se questionar onde é que se quer chegar e só então começar a pesquisar os meios.

Minha trajetória de vida que me conduziu ao Homeschooling se iniciou precisamente desse modo. No intuito de conduzir conscientemente um processo educativo, parei para avaliar se minhas crianças estavam realmente aprende o que havia de melhor para se apreender, e ao observar que nas escolas se perde muito tempo ensinando tantas e tantas coisas que podem ser interessantes – ou não – mas que considerando um quadro completo de o que é realmente relevante para a formação integral de um indivíduo e portanto de o que é fundamental que se ensine, fica notório que determinar o “o que se deve ensinar” e então um “por onde começar” é fundamental.

Acredito que tanto na escola como nos meios de comunicação o excesso de informação atrapalha. Entre tantas e tantas possibilidades do que se estudar, entre tantas e tantas técnicas de como se se ensinar, decidi que minhas filhas não serão cobaias inseguras de novas modas psicológicas ou educativas. (lembrando sempre que a educação domiciliar é uma das modalidades educacionais mais antigas da história humana). Por onde começar? Comecemos olhando para tudo o que deu certo em matéria de educação. Vamos olhar para a história da humanidade e ter a humildade de reconhecer tudo de bom que já existiu.

Evidentemente há muita coisa. Mas tendo em vista que a educação é um processo que se dá na criança é fundamental que ela se interesse pelo que aprende, é interessante que aquilo tenha algum sentido concreto para ela. E com isso não estou querendo dizer que as atividades devem ser sempre lúdicas ou divertidas, afinal a vida real não é sempre assim. Para o bem da criança, precisamos ensiná-las a fazer coisas chatas e difíceis também. Mas se o objeto de estudo não tem realidade para ela penso que estamos na pista errada.

Vejo em sites materiais pedagógicos que visam ensinar estrutura celular de vegetais para crianças muito pequenas usando células gigantes para elas manusearem e me pergunto qual a pertinência disso para um bebê? Pois, a menos que tenha surgido uma curiosidade sobre as partes microscópicas dos seres vivos, para uma criança muito pequena aquilo é apenas mais um objeto no mundo real que não vai ter uma relação autoevidente com a biologia da plantinha. Num mundo no qual se produz tantas informações podemos nos perder querendo proporcionar tantos recursos e esquecer que para os pequenos apenas olhar as plantas na natureza é uma alegria e uma verdadeira fonte de descobertas.

Antes de mais nada, observo que a hiperestimulação é um mal. Para bebês e crianças menores de 2 anos não precisamos investir tantos esforços em atividades propriamente acadêmicas. O mundo já é um gigante laboratório e os objetos da natureza e do ambiente doméstico já são uma fonte de estímulo. Não é preciso inserir brinquedos que pulam, gritam, brilham; não é fundamental uma academia para bebês, não é preciso ver todas as imagens que existem para serem vistas, ouvir todas as músicas ou assistir a todos novos vídeos.

Se ensinada a viver num ritmo alucinado de novos estímulos constantes a criança perde a capacidade de concentração, perde a capacidade de silêncio interior, fica viciada em ser entretida. Assim como quem prova sabores muito intensos não consegue sentir sabor em um tempero ameno.

Acredito que o mais importante para nossos filhos pequenos não está em se tornarem pequenos gênios. Porque até mesmo para um desenvolvimento cognitivo satisfatório é fundamental investir antes em conhecimentos de outra ordem: a criança precisa conhecer e dominar o próprio corpo, os próprios movimentos, os sons; precisa aprender a manusear adequadamente e com autonomia objetos de seu uso cotidiano. Não há nada mais saudável para a autoestima do que fazer as coisas por si só. É importante ensinar a criança muitas palavras para que ela possa se comunicar adequadamente, aprender a expressar o que está experimentando, sentindo ou observando; é preciso ensinar a criança a nomear suas emoções e ajudá-la a lidar com as frustrações, é importante aprender a respeitar os outros e também todas as regras do convívio familiar; e é o momento perfeito para a aquisição de bons hábitos.

Por isso, acho que a melhor forma de se começar a educação domiciliar é pensando sobre onde quero chegar com esse projeto. A resposta que eu encontrei para essa pergunta é: minha meta é preparar o terreno para que nele possam florescer pessoas boas e honradas.

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