Com a dedicação exclusiva aos filhos encontra-se realização pessoal

Um dos mais recorrentes questionamentos sobre as mães que se dedicam em tempo integral a educação dos filhos é sobre a realização pessoal. Dizem que uma mulher que abdica de exercer um trabalho profissional fora de casa não vai encontrar esse tipo de satisfação e portanto viverá uma vida sem sentido que revelará a plenitude de sua futilidade quando os filhos estiverem crescidos. Isso é um mito.
Quando minha primeira filha nasceu experimentei um dos momentos mais especiais de toda a minha vida. Ela fez de mim uma mãe. E com isso realizou uma parte do meu projeto de vida, um verdadeiro sonho, e foi aos poucos me tornando uma pessoa melhor. Hoje olhando para trás eu percebo que teria feito muita coisa diferente. Mas certamente essa reflexão não deriva de um sentimento de que deveria ter me dedicação maior a mim mesma.
Se eu pudesse voltar no tempo eu teria me preparado melhor para a maternidade. Naqueles dias me vi tão envolvida com um turbilhão de sentimentos, preocupações e uma infinidade de aprendizados de ordem prática que levaram alguns anos para a reflexão sobre os aspectos superiores da formação humana chegasse ao meu horizonte de consciência.
Quando minha filha começou a apresentar dificuldades que transcendem a vida natural biológica foi que me dei conta realmente de que minha filha era uma pessoa vivendo as primeiras experiências e formando a personalidade.
Educar é trabalho. Envolve despender tempo, energia e recursos. Independentemente de que se esteja fazendo isso de modo acidental ou de modo consciente. Os filhos estão absorvendo o que somos e fazemos e estão aprendendo a ser e a fazer.
Um dia ela mentiu. E toda uma preocupação de ordem transcendente apareceu para mim. É como se a até ali eu acreditasse inconscientemente que as crianças são um tipo de bom selvagem e que desenvolveriam um bom caráter simplesmente porque esse é o meu desejo. Mas, crianças são pessoas. Para elas se inicia toda a luta interior que marca a vida humana. Era preciso ensiná-la sobre isso!
Essa alma me foi confiada para que eu a oriente nesses preciosos primeiros anos. E agora? O que é fundamental que se ensine? Que efeitos as coisas que elas vivem hoje terão no futuro? Que tipo de práticas preciso empregar para que elas desenvolvam as grandes virtudes?
É inevitável que ao hierarquizar o que há de mais significativo para se transmitir aos filhos nos deparemos com perguntas sobre o sentido da vida. Percebo hoje a urgência de investir nesse dever que dá coerência e relevância para tudo que há de significativo em minha vida. Não há mais ninguém no mundo que seja mãe das minhas filhas, ou seja, essa é a tarefa urgente que me foi confiada. Pois, a infância de minhas filhas não vai esperar eu alcançar a minha realização pessoal, ela vai acontecer estando eu lá para ver ou não.
Percebo que há uma ganho enorme em elas saberem e testemunharem que ao educá-las cumpro com uma doce missão. Família pode ser um aprendizado contínuo sobre uma vida com sentido. Mesmo quando meu papel na vida delas não for tão constante terá valido a pena.

Ensine seus filhos a obediência para formar adultos verdadeiramente livres

Tenho visto muito ser dito acerca da supostos efeitos negativos de se ensinar aos filhos a obediência. Percebo que o modo como a questão é colocada faz parecer que ao ensinar um filho a obedecer se está criando uma pessoa reprimida, sem iniciativa e incapazes de seguir a própria consciência.

Por ser mãe e saber que a expectativa da obediência sempre visa o beneficio da criança, e muitas vezes um benefício que ela é incapaz de entender, e também porque a virtude da obediência é fundamental para todos, penso que ensinar alguém a resistir a autoridade paterna é o modo menos indicado para se atender a meta de criar adultos críticos e capazes de dirigir suas vidas pautados nas próprias ideias.

De modo geral desobedecer – principalmente na infância – é fácil. Para isso basta atender os próprio apetites, desejos e impulsos, ou seja, qualquer um é naturalmente inclinado para isso. Já obedecer é consentir voluntariamente com uma vontade que muitas vezes pode até ser oposta aos desejos e apetites. Exatamente por isso obedecer custa, exige esforço, demanda reflexão.
Ensinar um filho a virtude da obediência implica em proporcionar o desenvolvimento de uma liberdade muito maior do que simplesmente abandoá-lo a mercê de si mesmo. É necessário dominar a si mesmo para ser capaz de obedecer.
No entanto, o que vemos hoje em dia é que cada vez mais as pessoas estão enfraquecidas no que concerne à obediência e à força de vontade. É comum não conseguirem obedecer nem a si próprias!
São tão escravas das próprias paixões que não tem a liberdade para conseguir fazer uma dieta, ou para acordar no horário, ou para batalhar por uma conquista profissional, ou para resistir a um impulso de consumo.
É muito importante ensinar aos filhos a ponderar sobre as consequências das escolhas e das atitudes, é importante ensinar a refletir antes de agir, é importante que tenham  discernimento e que pautem livremente as atitudes segundo uma hierarquia de bons valores. É importante que entendam os princípios que receberam e que busquem a verdade, a nobreza, a justiça. E para que que consigam atingir essa maturidade precisamos exercer a autoridade paterna. Esse é um dever dos mais graves, pois a criança, que não tem o discernimento maduro, conta conosco para conduzi-la enquanto ela não estiver pronta para obedecer ou desobedecer com verdadeira liberdade interior. Contudo, deixar o filho sob o jugo da tirania de si mesmo é uma negligência covarde.

Educando em casa, construindo vínculos afetivos

Uma das primeiras experiências que tive de deslumbramento com a literatura se deu quando eu tinha uns 17 anos e me deparei com a obra de Clarice Lispector.

Eu simplesmente não conseguia parar de ler. Em pouco tempo li todos os livros dela que pude encontrar. Mais tarde me deparei com a biografia. Ela foi a primeira personalidade que me motivou a querer conhecer sua história e sua vida. Por seu modo intimista de escrever, sua sinceridade, seus símbolos, sua simplicidade… Aquilo me tocou profundamente. Era uma viajem no mundo interior de alguém. Uma viajem que sempre me conduzia rumo a minha própria interioridade onde os textos reverberavam apaixonadamente. Nessa semana quando fui na livraria encontrei uma coleção de livros dela para crianças!

Novamente Clarisse me possibilitou uma outra experiência inesquecível. Li para minhas filhas os livros e eis que minha pequena de 6 anos ficou fascinada por eles. Levou os livros para todos os lugares, pediu para que aqueles fossem exclusivamente dela e não da nossa biblioteca, pediu para a madrinha ler os livros para ela novamente, e depois os releu sozinha.

Não é a primeira vez que ela se encanta com uma história, mas dessa vez estava andando numa trilha que eu já percorri, e com o mesmo deslumbramento que eu já senti. Aquilo conversou com algo dentro dela daquele modo especial que a autora tem de conversar. Para mim foi muito gostoso ver minha filha viver uma experiência intelectual que eu vivi e que me foi tão cara. Minha filha não sabe, mas naquele momento criamos um vínculo novo cheio de carinho.

Esse é um dos motivos que me levam a amar partilhar da jornada intelectual delas: aprendemos juntas, testemunhamos mutuamente as alegrias e lutas umas das outras e desfrutamos da companhia uma da outra enquanto criamos um relacionamento muito rico e amoroso.

Em busca do Osso perdido

EducArte foi o nome para o diário online de atividades educacionais de minhas filhas que surgiu enquanto eu refletia sobre a palestra do professor  José Monir Nasser.
Nela, o professor comentara que que em matéria de educação estamos como o cachorro que enterrou o osso e esqueceu onde cavou, ou seja, perdemos completamente a pista da alta cultura. Ao assumir pessoalmente a educação de minhas filhas me percebi como uma espécie de Indiana Jones buscando redescobrir o osso perdido.
A prática da educação domiciliar é bem simples de se conduzir, contudo já nos primeiros tempos descobri que educar não é uma ciência é uma arte. Tal como numa obra de arte busca-se empregar as melhores técnicas, ferramentas, recursos, estratégias e os resultados não são matemáticos. Na educação não deve ser diferente. Como um filho é muito mais do que uma obra-prima, vale a pena fazer junto a ele essa jornada.

Aprendi que educar é também se educar e por isso dia após dia vou preenchendo as lacunas que ficaram em minha educação. A cada dia tenho que me esforçar para ser uma pessoa melhor, primeiro para que minha vida reflita as virtudes que espero ensinar, mas principalmente para que vendo minha luta para ser uma pessoa melhor elas também aprendam a lutar. Busco mais do que conhecimento, estou em busca da excelência das relações humanas, em busca de uma vida interior frutuosa, em busca da nobreza de caráter. Enfim, estamos educando para a Eternidade.

Desse modo, Educar-te é o projeto de uma mãe que está redescobrindo a Arte de Educar.
*Esse post inaugurou o nosso diário virtual. É uma grande alegria para mim revisitar nossa trajetória ao transferir o conteúdo para esse nosso novo endereço virtual. Passados alguns anos, continuo na busca pela excelência educacional, continuo na luta pela superação de minhas limitações. Mas muito satisfeita e cada vez mais confiante na Educação Domiciliar.